20 de abril de 2024

Estudo Revela Impacto da Etnia no Desenvolvimento Infantil: Filhos de Mães Indígenas Mais Vulneráveis

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Estudo Revela Impacto da Etnia no Desenvolvimento Infantil: Filhos de Mães Indígenas Mais Vulneráveis

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Pesquisa aponta desigualdades no crescimento de crianças com base na etnia das mães, destacando preocupações sobre o desenvolvimento infantil.

Um estudo realizado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) revelou que a etnia e cor da gestante influenciam significativamente o crescimento e peso dos filhos. Especificamente, o estudo ressalta a disparidade no desenvolvimento infantil de crianças cujas mães são indígenas.

Os resultados, publicados no BMC Pediatrics, mostram que crianças filhas de mães indígenas têm maiores taxas de baixa estatura para a idade (26,74%) e baixo peso para a idade (5,90%). Além disso, características de magreza foram mais comuns entre crianças filhas de mães pardas, pretas, indígenas e de descendência asiática, em comparação com aquelas cujas mães são brancas.

A pesquisa analisou informações de mais de 4 milhões de crianças nascidas entre janeiro de 2003 e novembro de 2015, com acompanhamento de seu desenvolvimento entre 2008 e 2017. Os resultados destacam a influência da vulnerabilidade social das gestantes no crescimento de seus filhos.

Helena Benes, autora do estudo, enfatiza que o racismo estrutural tem impactos significativos nesse cenário: “O racismo pode influenciar desde o acesso desigual a oportunidades de trabalho e educação até o nível de estresse enfrentado em diferentes comunidades”. A pesquisa revela a necessidade de medidas governamentais e de saúde pública para combater o racismo e suas consequências no crescimento das crianças.

Além das questões étnicas, o estudo também destaca a vulnerabilidade materna, com mulheres indígenas e pretas apresentando os menores níveis educacionais e índices mais altos de incompletude do acompanhamento pré-natal.

Embora os padrões de crescimento infantil estejam dentro dos limites normais estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, crianças nascidas de mães mais vulneráveis socialmente tendem a apresentar características menos favoráveis em seu desenvolvimento.