Poças temporárias, ecossistemas que secam por longos períodos, abrigam uma surpreendente diversidade de peixes com adaptações extraordinárias para a sobrevivência. Algumas espécies, como os bagres, conseguem caminhar e respirar fora d’água, enquanto os killifishes, conhecidos como ‘peixes-das-nuvens’, depositam ovos resistentes que esperam a próxima chuva para eclodir.
Apesar da fascinante capacidade de adaptação desses animais, um novo estudo da Unesp, INPA e Universidade Santa Cecília revelou uma lacuna preocupante: a ciência tem focado excessivamente nos killifishes, negligenciando cerca de 100 outras espécies que também utilizam as poças temporárias para alimentação, reprodução ou fuga de predadores, como as piabas.
A pesquisa, que analisou 115 artigos publicados entre 1981 e 2024, alerta para o perigo dessa falta de conhecimento, especialmente diante das ameaças que as poças enfrentam: expansão urbana, desmatamento e tráfico de espécies.

“Como muitas dessas espécies são conhecidas em uma única poça, se você construir um shopping ou um condomínio em cima dessa poça, a espécie está fadada ao fracasso”, alerta João Henrique Alliprandini da Costa, autor principal do estudo.
Os pesquisadores defendem a necessidade urgente de ampliar as pesquisas em áreas como ecologia trófica e comportamento, a fim de entender melhor como essas espécies interagem em seus ecossistemas. Preservar as poças temporárias é crucial, pois elas desempenham um papel fundamental na regulação de populações de insetos e no equilíbrio da cadeia alimentar local. “Se você é um ácaro, o peixe de poça é sua onça”, compara Costa, ressaltando a perda irreparável de informação genética e ecológica que a extinção dessas espécies representa.
Com informações do Portal Amazônia.








