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12 de março de 2026

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Estudo criticando uso da hidroxicloroquina contra a Covid19 usaram dados suspeitos

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Dados hospitalares de uma empresa americana usados em artigos sobre o uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19 foram colocados sob suspeita a partir de uma investigação do jornal britânico The Guardian publicada nesta quarta-feira (3).

Os estudos disponíveis em duas das mais prestigiosas revistas científicas médicas, The Lancet e The New England Journal of Medicine, lançaram mão de informações hospitalares fornecidas pela Surgisphere, companhia desconhecida norte-americana que conta com pessoas sem formação em dados ou ciência no seu quadro de funcionários. Segundo o jornal, um escritor de ficção científica e uma modelo de conteúdo adulto estariam entre os empregados da Surgisphere.

Os artigos publicados com esses dados serviram de base para governos e a Organização Mundial da Saúde mudarem diretrizes com relação ao uso da hidroxicloroquina e encerrarem estudos com o medicamento que estavam em andamento.

A empresa diz ter obtido legitimamente informações de milhares de hospitais, mas não explica seus dados nem sua metodologia, aponta o jornal. O diretor-executivo da firma, o médico-cirurgião Sapan Desai, assina os artigos como um dos autores.

Uma comissão foi montada com os outros autores dos estudos que não são ligados à empresa para fazer uma auditoria da validade dos dados.

Após a publicação de um artigo na Lancet, no dia 22 de maio, o jornal já havia apontado inconsistência nos dados usados. No texto, o número de mortes causadas pela doença na Austrália até o dia 21 de maio era de 73; as fontes oficiais, porém, registravam 67 óbitos até aquele dia.

A revista Lancet chegou a publicar uma correção no artigo, mas afirmou que os resultados permaneciam os mesmos. O estudo, feito com informações de quase 100 mil pacientes, apontou que a hidroxicloroquina aumentava o risco de morte nessas pessoas.

A hidroxicloroquina é usada no tratamento da malária. A corrida pelo medicamento durante a pandemia chegou a fazer com que pacientes da doença corressem o risco de ficar sem o remédio. (F. de São Paulo)

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