A Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) aprovou um projeto para fortalecer a cadeia produtiva do cacau na região da Transamazônica, no Pará. A iniciativa visa monitorar o cultivo do fruto em Sistemas Agroflorestais (SAFs) e avaliar a viabilidade econômica de diferentes técnicas de irrigação.
O estudo, desenvolvido desde 2023 em Vitória do Xingu e Tomé-Açú, busca entender como a irrigação impacta o desenvolvimento do cacaueiro em diferentes condições climáticas e de cultivo – a pleno sol e em SAFs. A pesquisa também pretende fornecer dados concretos para orientar pequenos produtores sobre os benefícios da irrigação, especialmente diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos.
Segundo o pesquisador responsável, Dr. Paulo Jorge Souza, a falta de informações técnicas específicas para a região é um obstáculo ao avanço da produção de cacau no Pará, principal estado produtor nacional. “Apesar da alta rentabilidade e importância social do cacau para a Amazônia, algumas lacunas técnicas ainda não foram elucidadas”, afirma.

Os pesquisadores realizam experimentos de campo em áreas irrigadas e não irrigadas, analisando dados que podem subsidiar políticas públicas e financiamentos para o setor. Modelos climáticos indicam mudanças significativas no regime de chuvas na Amazônia, reforçando a necessidade de adaptação e de investimentos em tecnologias como a irrigação. O projeto já apresentou resultados em congressos nacionais e internacionais, além de ter contribuído para a defesa de dissertações de mestrado.
A Fapespa destaca a importância da pesquisa para gerar conhecimento técnico e científico que fortaleça a cadeia produtiva do cacau, uma cultura que se alinha com a agricultura sustentável e a preservação da biodiversidade amazônica. Em 2025, os resultados foram apresentados aos produtores locais, com a distribuição de uma cartilha técnica sobre o manejo da irrigação.

“O cacau é uma das principais cadeias produtivas do Pará e é uma cultura que dialoga fortemente com a agricultura sustentável”, enfatiza o presidente da Fapespa, Marcel Botelho. “A pesquisa, a ciência e a tecnologia agregadas à essa condição natural, fortalecem ainda mais o Estado e a sua capacidade produtiva.”

Com informações do Portal Amazônia.










