O senador Marcos Rogério (PL) tem se esforçado para cultivar a fama de arrogante, conquistada desde que resolveu ingressar na vida pública. Ele conseguiu aumentar mais um pouco essa pecha ao se recusar a dar declarações ao jornal O Estado de S. Paulo sobre sua suposta ligação com a empresa Bernardes & Bernardes Transportes, que recebeu R$ 30 mil em dinheiro vivo para levar a Brasília manifestantes que teriam sido envolvidos em um quebra-quebra no último 8 de janeiro.
Moradores de Rondônia que embarcaram no ônibus fretado teriam sido enganados, acreditando que fariam parte de um protesto pacífico, e foram abandonados. Estão respondendo a inquéritos sozinhos, dando um jeito de se defender na Justiça, porque organizadores da manifestação simplesmente desapareceram. Marcos Rogério parece fazer de conta que nem é com ele.
Pelo que foi amplamente divulgado até agora, muita gente ordeira foi a Brasília para protestar. Havia famílias lá, descontentes com o rumo político do Brasil, mas também haveria infiltrados, pessoas que estavam no meio dos cidadãos de bem para promover quebradeira. Isso foi investigado pela Agência Brasileira de Informações (Abin).
O tema também é alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos de 8 de Janeiro, da qual Marcos Rogério passou a fazer parte recentemente. Acontece que o relatório da Abin aponta para possível envolvimento do senador. Em outras palavras, Marcos Rogério agora investiga a si.
A cara de pau do senador Marcos Rogério tem chamado a atenção dos seus adversários políticos, pois ele jamais poderia integrar a CPMI, diante do seu possível envolvimento com os protestos. Essa mesma cara de pau é acentuada pela falta de assistência às pessoas que respondem a processos, sem que tivessem participado diretamente da quebradeira, agindo de boa fé por acreditar que o protesto seria pacífico.
Por uma questão ética, Marcos Rogério deveria pelo menos ter se explicado aos rondonienses que têm problemas com a Justiça por terem embarcado no ônibus da Bernardes & Bernardes e ido a Brasília. Deveria ter deixado a arrogância e a cara de pau de lado e falado com eles. Se não vai patrocinar um advogado para defender quem não teve nada a ver com a bagunça, o senador deveria no mínimo dizer que não participou da organização da quebradeira do dia 8.
A empresa Bernardes & Bernardes recebeu R$ 30 mil em dinheiro vivo para transportar até Brasília pessoas que participaram dos atos de 8 de janeiro. A empresa também recebeu pagamentos em 2022 por serviços eleitorais durante a campanha do senador Marcos Rogério.
O empresário Jhoni dos Santos Bressan, motorista e sócio da Bernardes & Bernardes, confirmou o recebimento do dinheiro, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo. Segundo o relatório da Abin, o objetivo desde o início era invadir o Congresso.
A fama de arrogante e de cara de pau está mantida. O senador Marcos Rogério não dá explicações sobre sua suposta participação em um plano para infiltrar mal intencionados entre cidadãos de bem, não se explica com rondonienses prejudicados e ainda mantém sua participação na CPMI. Pelo jeito, pretende continuar se investigando. Vai vendo, Brasil. Fonte: Blog Entrelinhas










