Rio Branco viveu, em dezembro, um cenário de alagamentos não visto há 50 anos, com igarapés e o Rio Acre transbordando após fortes chuvas. A situação atípica já afeta mais de 20 mil moradores.
Segundo Rafael Coll Delgado, doutor em Meteorologia e professor da Ufac, o episódio foi causado pela atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), um sistema comum no Nordeste que se deslocou de forma incomum para o oeste do país. Os alertas de tempestade já haviam sido emitidos, e os modelos meteorológicos indicavam o deslocamento do sistema em direção ao Acre entre os dias 24 e 25 de dezembro.
O VCAN, com grandes dimensões, favoreceu a formação de tempestades severas. Apesar do núcleo do vórtice ser associado à estabilidade, suas bordas (vanguarda) intensificaram a formação de nuvens profundas e tempestades, como as que atingiram Rio Branco e outros municípios. Imagens de satélite mostraram nuvens com desenvolvimento vertical extremo, indicando alto potencial de chuva.

O volume de chuva registrado foi excepcional. Em apenas uma hora, foram medidos 38 milímetros (38 litros por metro quadrado), e o acumulado em menos de um mês ultrapassou os 500 milímetros – o dobro do normal. O especialista ressalta a necessidade de investimentos em estações meteorológicas e radares para previsões mais precisas e alertas antecipados.
Delgado também relaciona o episódio às mudanças climáticas, ao aquecimento dos oceanos e às alterações no uso do solo, observando que eventos extremos estão ocorrendo com intervalos cada vez menores. A última enchente em dezembro havia sido registrada em 1975.
Com informações do Portal Amazônia.









