A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Federal do Maranhão (IFMA) realizaram o ‘I Seminário de Formação Intercultural: Educação, Língua e Cultura do Povo Awa Guajá’, entre 15 e 17 de dezembro, no campus Santa Inês. O evento marcou o início de um projeto inédito voltado à formação de professores indígenas desse povo de recente contato.
O seminário integra o Curso Médio Técnico em Magistério Awa Pape Mumu’ũha Ma’a Kwa Mataha, que visa formar 50 professores para atuarem no Ensino Fundamental em suas aldeias, fortalecendo a autonomia e a gestão dos processos educativos próprios. A iniciativa busca atender às especificidades culturais e linguísticas do povo Awa Guajá, garantindo uma educação diferenciada e respeitosa.
A formação conta com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e do Ministério da Educação (MEC), e é a primeira estruturada com base na Instrução Normativa Funai nº 33/2024. André Ramos, coordenador de Políticas de Educação Escolar e Formação Intercultural, destaca que a iniciativa representa um avanço na construção de uma política específica para povos de recente contato. “Isso é muito significativo, porque a especificidade da legislação da educação escolar indígena é fundamental para garantir uma relação de respeito, de valorização das línguas, das culturas e das formas de vida desses povos, permitindo que a gente se distancie cada vez mais de práticas dominadoras e de violação de direitos”, afirmou.
O seminário reuniu momentos culturais, debates institucionais e reflexões técnico-pedagógicas, com protagonismo do povo Awa Guajá e a participação de especialistas da Funai, IFMA, MEC, MPI e pesquisadores. Foram abordados temas como a educação escolar indígena bilíngue, o ensino em contextos multilíngues e a política de proteção aos povos indígenas de recente contato.

Para o professor indígena Tatitiá Awa Guajá, o evento é crucial para fortalecer a liderança e o conhecimento das comunidades. Já o professor Batista Botelho, do IFMA, ressalta a importância do diálogo intercultural e do reconhecimento do compromisso do povo Awa Guajá com a preservação de suas raízes.
Com informações do Portal Amazônia.











