Em julho do ano passado, Alter do Chão me revelou um paraíso onde a cultura local pulsa no ritmo do carimbó e a beleza natural encanta a todos. A vila, um universo em si, abriga uma luta incessante dos moradores – em grande parte, indígenas Borari – contra empreendimentos que ameaçam a região, incluindo o maior aquífero de água doce do mundo.
Recentemente, o Governo Federal assinou o Decreto nº 12600, que prevê a privatização e dragagem dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós. A medida visa facilitar o escoamento da produção agrícola, mas ignora os impactos ambientais e sociais, especialmente para as comunidades indígenas.

Indígenas da região estão mobilizados pela revogação do decreto, que foi apenas suspenso temporariamente. Ailton Krenak resume a situação: “Nós estamos em guerra. A falsificação ideológica que sugere que nós temos paz é pra gente continuar mantendo a coisa funcionando. Não tem paz em lugar nenhum”. Dragagem de um rio é, portanto, um atentado contra a vida e a história de todos que dependem de suas águas.
Krenak alerta que a COP 30 não trará benefícios reais para a Amazônia. Precisamos mergulhar nas raízes do problema, como o rio Watu fez para sobreviver, buscando soluções que envolvam respeito à natureza e aos povos indígenas. É preciso lembrar que somos parte integrante do meio ambiente, e violá-lo é nos violentarmos.

A obra “A história das crianças que plantaram um rio”, de Daniel da Rocha Leite e Maciste Costa, nos inspira a sonhar com um futuro onde a harmonia entre homem e natureza seja possível.

Com informações do Portal Amazônia.











