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09 de março de 2026

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Doença de Chagas: casos no Pará alertam para manejo de alimentos

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A recente ocorrência de casos graves de Doença de Chagas no Pará, incluindo a morte de um jovem de 26 anos na Região Metropolitana de Belém, reforça a importância do controle sanitário na manipulação de alimentos típicos da Amazônia, como açaí, bacaba e buriti.

A investigação aponta para a ingestão de açaí contaminado como a principal causa do caso em Ananindeua, levando as autoridades a intensificarem as inspeções em estabelecimentos comerciais e o acompanhamento de moradores com sintomas. A doença, presente na rotina alimentar e cultural da região, tem uma dinâmica diferente da transmissão tradicional pelo barbeiro.

Segundo o biólogo Éder Souza, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas, a via oral é central na transmissão da Doença de Chagas na Amazônia, estando diretamente ligada à falta de higiene no preparo dos alimentos. “O problema não está no açaí, na bacaba ou no buriti, mas sim no manejo inadequado. Optar por pontos de venda confiáveis é essencial”, destaca.

O Pará concentra a maior parte dos casos da doença na Amazônia Legal, respondendo por cerca de 80% dos registros da região Norte na última década. Em 2023, foram notificados 536 casos no estado, com uma leve queda para 485 em 2024. A contaminação ocorre quando o parasita Trypanosoma cruzi atinge o alimento durante a colheita, transporte ou beneficiamento.

Para prevenir a contaminação, Éder Souza recomenda a higienização adequada dos frutos, o choque térmico, a limpeza dos ambientes e o uso de água potável no preparo. A atenção aos sinais como febre, fadiga, dores musculares e mal-estar após o consumo de alimentos artesanais, e a procura imediata por assistência médica, são igualmente importantes, especialmente na fase aguda da doença, quando o tratamento é mais eficaz.

Já em 2025, foram contabilizados 484 episódios e oito óbitos, com maior incidência em municípios como Breves, Barcarena, Belém, Muaná, Ananindeua e Abaetetuba. O órgão informa que 89% das infecções locais ocorrem por via oral, associadas a produtos contaminados.

Com informações do Portal Amazônia.

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