Por José Sidney Andrade dos Santos
Ah, sim, a Faculdade de Medicina da USP – outrora sinônimo de rigor científico, berço de mentes que salvaram vidas com bisturi afiado e conhecimento sólido – agora resolveu nos presentear com uma pérola do surrealismo contemporâneo: uma palestra sobre “a saúde das mulheres de próstata”. Sim, você leu certo. Mulheres. Com. Próstata. Na disciplina de Ginecologia, ainda por cima. Porque nada grita “saúde feminina” como um órgão que a biologia reserva exclusivamente para o sexo masculino desde que o primeiro primata resolveu ficar de pé.
O evento, parte da tal *“1ª Jornada Internacional da Sexualidade Feminina”* (porque internacionalizar a loucura é mais chique), incluiu essa joia ministrada por Helena Vieira – transfeminista, dramaturga, roteirista de novelas globais, filósofa de perfil no Twitter/X, ex-candidata do PSOL e, pasmem, sem nenhuma formação em Medicina. Mas quem precisa de anatomia, fisiologia ou histologia quando se tem militância e uma boa dose de desconstrução de gênero? A USP, em sua infinita sabedoria, achou que era exatamente isso que faltava aos futuros médicos: uma aula de como chamar homens trans de *“mulheres de próstata”* sem engasgar.
É a distopia institucionalizada, amigos. Não é mais ficção de Orwell ou Huxley; é programação oficial de uma das faculdades mais prestigiadas do país. Enquanto estudantes afundam em dívidas, plantões exaustivos e um currículo que já era apertado, a instituição resolve priorizar o *“aconselhamento reprodutivo para pessoas trans”*, chemsex (sexo sob efeito de drogas, porque vulnerabilidade é sexy) e, claro, a saúde prostática feminina. Porque o que realmente falta no SUS é mais debate sobre próstatas em corpos que nunca as tiveram – exceto, claro, na *glândula de Skene*, essa pobre coitada que alguns tentam inflar para virar *“próstata feminina”* e salvar a narrativa.
Vamos ser francos: isso não é inclusão. É colonização ideológica do saber médico. É trocar o juramento de Hipócrates por um mantra de *“autoidentificação acima da biologia”*. É transformar uma faculdade de Medicina em extensão do departamento de estudos de gênero, onde o critério para palestrar não é competência científica, mas alinhamento político. Resultado? Cursos de medicina no Brasil já afundando em rankings internacionais, evasão crescente, desmotivação e agora isso: formar médicos que hesitam em chamar uma próstata de próstata por medo de ofender a “identidade de gênero” do paciente.
Não é sem motivo que a qualidade técnica despenca. Quando a instituição que deveria ensinar evidências científicas prefere promover ativismo travestido de ciência, o estrago é sistêmico. Os alunos saem sabendo mais sobre como navegar o politicamente correto do que sobre como diagnosticar um câncer de próstata – ironicamente, o único tipo real que existe.
Parabéns, FMUSP. Vocês conseguiram o impossível: tornar a Medicina brasileira ainda mais ridícula do que já estava. Enquanto o país enfrenta epidemias reais, falta de leitos e médicos sobrecarregados, a elite acadêmica debate saúde de mulheres com testículos e próstata. É o auge da desconexão: uma torre de marfim onde a realidade biológica é opcional, mas a ideologia é obrigatória.
E o pior? Cobram até R$ 750 pelo ingresso dessa palhaçada. Porque nada diz “progressismo” como elitizar o absurdo.
José Sidney Andrade dos Santos
Filosofo, Sociólogo, Biomédico, Escritor, Psicanalista
(Alguém que ainda acredita que Medicina deveria curar corpos, não ideologias)












