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17 de fevereiro de 2026

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Desova de tartarugas atrasa por segundo ano em Rondônia

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O Vale do Guaporé, no sul de Rondônia, na fronteira com a Bolívia, é um dos principais locais de desova de tartarugas na Amazônia. Todos os anos, milhares de fêmeas buscam as praias de areia do rio Guaporé para depositar seus ovos, garantindo a continuidade da espécie. No entanto, a situação tem se mostrado preocupante nos últimos dois anos.

Em 2024, a desova começou com um atraso incomum, e em 2025 a situação se repetiu. Especialistas apontam que o problema está ligado a condições climáticas desfavoráveis, como chuvas fora de época, a fumaça das queimadas e o aumento do nível do rio. A caça ilegal também representa uma ameaça constante à sobrevivência das tartarugas.

A espécie Podocnemis expansa, a maior tartaruga de água doce da América do Sul, é uma das mais afetadas. Segundo a Associação Comunitária Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale), o número de filhotes natos caiu drasticamente. Em 2022, aproximadamente 12 milhões de filhotes nasceram, enquanto em 2023 esse número despencou para apenas 1,4 milhão – uma queda de quase 88%. Em 2024, apenas 350 mil filhotes sobreviveram. A previsão para 2025 não é animadora.

Normalmente, a desova da Podocnemis expansa ocorre entre agosto e setembro. Este ano, as tartarugas só iniciaram a desova no início de outubro, cerca de dois meses após o período habitual. “Talvez em 2025 tenhamos um número menor do que 2024. A desova deste ano iniciou de forma pequena e não contínua, como geralmente costuma ser, e isso é muito preocupante”, relata José Soares Neto, conhecido como “Zeca Lula”, um dos fundadores da Ecovale.

Os quelônios, como as tartarugas, são animais que dependem do calor externo para regular sua temperatura corporal. As fêmeas precisam se aquecer nas praias para estimular a ovulação, um processo que é diretamente afetado por eventos climáticos extremos. As queimadas e as mudanças climáticas agravam a situação, pois a fumaça bloqueia a luz solar e altera a temperatura da areia, onde os ovos são depositados.

O biólogo Deyvid Muller explica que, embora se estime que mais de 33 mil ninhos tenham sucesso, o número exato de filhotes que nascerão ainda é incerto. “Caso esse cenário se torne comum, haverá uma drástica diminuição na quantidade de filhotes. A desova está acontecendo, mas de forma atípica. Não é possível estimar a perda, mas o clima é de tristeza pela possível diminuição”, afirma o biólogo.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio do Programa Quelônios da Amazônia (PQA) em Rondônia, realiza ações de cercamento e monitoramento das praias, escavação de ninhos alagados para salvar os filhotes, apoio a pesquisas científicas e programas de educação ambiental com as comunidades locais, buscando aumentar a taxa de sobrevivência.

O analista ambiental do Ibama, Áquilas Mascarenhas, destaca a importância de proteger os quelônios para manter o equilíbrio ecológico da região. “O ciclo reprodutivo das tartarugas está intimamente ligado à saúde dos ecossistemas aquáticos amazônicos. Elas contribuem para a dispersão de nutrientes, o controle biológico da vegetação aquática e servem de alimento para outras espécies. Qualquer alteração prolongada nesse ciclo pode ter impactos significativos na cadeia alimentar e na dinâmica ecológica do rio Guaporé”, explica.

O Vale do Rio Guaporé é considerado um dos maiores berçários de quelônios do mundo e o maior do Brasil. Em um raio de 30 quilômetros, estão sete praias onde tartarugas da Amazônia, tracajás e outras espécies depositam seus ovos.

Além das ações de monitoramento, o Ibama e outras ONGs promovem eventos de conscientização, como a soltura de filhotes, para sensibilizar a população sobre a importância da preservação dos quelônios.

A redução das queimadas em Rondônia, após um cenário crítico em 2024, é resultado de uma estratégia coordenada entre diversos órgãos de fiscalização e controle ambiental, incluindo o Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Operações como a Operação Temporã (I e II) intensificaram as ações preventivas e de combate aos incêndios florestais, com resultados positivos na diminuição dos focos de calor e na responsabilização de criminosos ambientais.

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