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22 de fevereiro de 2026

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Desmatamento altera fluxo de rios na transição Amazônia-Cerrado

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O avanço do desmatamento na região de transição entre o Cerrado e a Amazônia está provocando mudanças significativas na disponibilidade de água em pequenas bacias hidrográficas. Um estudo do IPAM aponta para o aumento do risco de cheias na estação chuvosa e a diminuição da água disponível durante a estação seca.

A pesquisa, publicada na revista ScienceDirect, analisou oito bacias hidrográficas no leste de Mato Grosso durante três anos, considerando diferentes níveis de cobertura vegetal. Os resultados indicam que áreas mais desmatadas apresentam maior volume de água escoada anualmente e diariamente, além de uma sazonalidade mais acentuada.

Bacias com menos vegetação nativa registraram picos de vazão mais intensos durante chuvas fortes, elevando o risco de enchentes. O desmatamento quebra o equilíbrio natural do ciclo hidrológico, reduzindo a evapotranspiração e a infiltração da água no solo, favorecendo o escoamento superficial.

Desmatamento altera fluxo dos córregos na transição entre a Amazônia e o Cerrado
Equipe da pesquisa. Foto: Reprodução/IPAM

Apesar do aumento do volume de água na estação chuvosa, o estudo identificou uma redução drástica no fluxo durante a estação seca em áreas desmatadas. Bacias com vegetação conservada mantêm cerca de 30% do fluxo de água no período seco, enquanto áreas desmatadas chegam a apenas 10%.

Os pesquisadores do IPAM recomendam a manutenção de pelo menos 50% da vegetação nativa em áreas de maior inclinação para garantir a estabilidade da disponibilidade de água ao longo do ano. O planejamento territorial e a conservação estratégica da vegetação são considerados elementos cruciais para a segurança hídrica e a produtividade a longo prazo.

“Conseguimos monitorar a vazão dos córregos de forma contínua, com medições a cada hora, em uma região com poucos dados hidrológicos. Isso nos permitiu entender como o desmatamento acelera o escoamento da chuva, aumenta o risco de enchentes e reduz a água disponível na estação seca. Os resultados mostram que é preciso considerar a sazonalidade, a topografia e os solos para avaliar os impactos na segurança hídrica, especialmente em anos de seca severa”, afirma a pesquisadora do IPAM Hellen Almada.

Com informações do Portal Amazônia.

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