O ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói, realizado na Marquês de Sapucaí no último dia 30 de janeiro, extrapolou o teste de som, luz e evolução. Nos telões do sambódromo, a escola exibiu provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que rapidamente acendeu o debate político fora da avenida.
Como resultado, o episódio provocou reações imediatas de parlamentares ligados à direita e levou o caso a diferentes instâncias de fiscalização.
Conheça detalhes do enredo sobre Lula
A escola prepara um desfile centrado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como possível candidato à reeleição em 2026. O enredo, portanto, já carregava peso simbólico. No entanto, a exibição de mensagens críticas a Bolsonaro durante o ensaio elevou a temperatura do debate e abriu espaço para questionamentos sobre limites artísticos, recursos públicos e propaganda eleitoral.
Denúncias avançam no MP e chegam ao TCU
Diante da repercussão, a senadora Damares Alves (Republicanos) protocolou uma denúncia no Ministério Público Eleitoral. Segundo ela, a agremiação teria usado dinheiro público para “a promoção pessoal de candidato à Presidência da República, bem como efetuar propaganda eleitoral de forma antecipada”. Além disso, a parlamentar pediu que a escola seja responsabilizada, caso fique comprovado desvio de finalidade.
Na mesma linha, o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) informou que acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro e solicitou a abertura de inquérito para apurar o episódio. Enquanto isso, o ex-ministro da Saúde e deputado federal Eduardo Pazuello (PL) reagiu nas redes sociais com a frase: “Isso não é arte. É militância disfarçada”.
O caso também alcançou o Tribunal de Contas da União. O auditor Gregório Silveira de Faria recomendou que o governo federal suspenda o pagamento de R$ 1 milhão previsto em um acordo de cooperação entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), valor destinado à Acadêmicos de Niterói. A recomendação atende a um pedido de seis deputados federais do partido Novo, que apontam possível desvio de finalidade no uso de recursos públicos.
Enredo sobre Lula e disputa em torno dos repasses
O samba-enredo da escola leva o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” e propõe narrar a trajetória pessoal e política do atual presidente. A escolha artística, embora amparada pela tradição do Carnaval em dialogar com temas sociais e políticos, passou a ser questionada no contexto do financiamento público.
Os parlamentares que acionaram o TCU pedem duas medidas principais. Primeiro, que o tribunal impeça a apresentação do samba-enredo caso haja uso de verba federal. Alternativamente, solicitam a devolução dos valores repassados pela Embratur, se a escola optar por manter o desfile com recursos próprios. Além disso, o grupo requer a responsabilização de gestores e autoridades envolvidas, com aplicação das sanções previstas em lei. Até o momento, não existe prazo definido para julgamento do processo.
Embratur se defende
Em nota, a Embratur informou que prevê a destinação igualitária de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial do Rio. A entidade também reiterou que não interfere na escolha dos sambas-enredo, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações. Segundo a instituição, não houve notificação formal do TCU, embora tenha afirmado estar à disposição para prestar esclarecimentos.
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Além desse repasse federal, as escolas de samba receberam outros recursos públicos. O governo do estado destinou R$ 40 milhões, enquanto a prefeitura do Rio liberou R$ 25 milhões, com divisão igualitária entre as agremiações. Já a prefeitura de Niterói repassou R$ 4 milhões para a Acadêmicos de Niterói e outros R$ 4 milhões para a Unidos do Viradouro, as duas representantes da cidade no Grupo Especial.
Procurada, a Acadêmicos de Niterói optou por não se manifestar sobre as críticas. A Liesa, por sua vez, informou que não recebeu qualquer notificação oficial, destacou que atua como entidade privada e sem fins lucrativos e afirmou seguir diretrizes estabelecidas pelos órgãos públicos.
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