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26 de janeiro de 2026

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Da floresta ao mercado: os desafios da produção na Amazônia

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A Amazônia possui uma enorme variedade de sistemas produtivos locais (SPLs) – do açaí e da castanha-do-pará aos óleos vegetais, artesanato e turismo de base comunitária – que combinam o conhecimento tradicional com a conservação ambiental e a geração de renda. No entanto, transformar os produtos da floresta em oportunidades de mercado ainda enfrenta dificuldades com logística, acesso a crédito, assistência técnica, certificação e preços.

Este artigo analisa os desafios e oportunidades para fortalecer esses sistemas produtivos, com foco na transição para uma bioeconomia que valorize a sociobiodiversidade e os conhecimentos das comunidades locais. A discussão destaca a importância de políticas públicas, cooperativismo, rastreabilidade e inovação tecnológica para garantir a sustentabilidade da região.

1. Panorama da produção extrativista na Amazônia

Fonte: IBGE – Produção da Extração Vegetal e Silvicultura, 2024.

Dados recentes do IBGE (2024) mostram que o Brasil produziu 763.662 toneladas de produtos alimentícios da extração vegetal. Embora a Região Sul seja a maior produtora, com 387.200 toneladas (51% do total nacional), a Região Norte ocupa o segundo lugar, com 277.058 toneladas (36%).

Apesar do volume menor, a produção amazônica se destaca pela diversidade. Enquanto o Sul é fortemente dependente da erva-mate, na Amazônia, castanha-do-pará, açaí, babaçu, andiroba, buriti e outros produtos formam uma rede de sistemas produtivos locais baseados no uso sustentável da floresta e na valorização do conhecimento tradicional.

Essa diferença mostra que, mesmo com menor volume, a produção amazônica tem um papel socioambiental importante e é um ativo estratégico para o desenvolvimento de uma bioeconomia sustentável. Fortalecer essas cadeias, com crédito, certificação e melhoria da logística, é essencial para transformar o potencial da Amazônia em vantagem competitiva.

2. Principais produtos da extração vegetal na Amazônia

A diversidade é uma marca do extrativismo amazônico. O açaí (229.938 toneladas) e a castanha-do-pará (33.422 toneladas) são os produtos que mais se destacam, mas há muitos outros, como fibras, óleos vegetais, borrachas naturais, piaçava, babaçu, buriti e frutos nativos com potencial para a bioeconomia.

Tabela 1 – Produção de produtos extrativos selecionados na Região Norte, 2024

Madeira em tora 8.080.566,0 Metros cúbicos
Lenha 3.309.926,0 Metros cúbicos
Açaí (fruto) 229.938,0 Toneladas
Carvão vegetal 140.793,0 Toneladas
Castanha-do-pará 33.422,0 Toneladas
Fibras 5.355,0 Toneladas
Piaçava 5.039,0 Toneladas
Palmito 3.299,0 Toneladas
Pequi (fruto) 3.074,0 Toneladas
Oleaginosos 2.467,0 Toneladas
Borrachas 1.549,0 Toneladas
Hevea (látex coagulado) 1.532,0 Toneladas
Babaçu (amêndoa) 1.296,0 Toneladas
Buriti 297,0 Toneladas
Copaíba (óleo) 290,0 Toneladas
Pequi (amêndoa) 270,0 Toneladas
Cumaru (amêndoa) 188,0 Toneladas
Ceras 120,0 Toneladas
Castanha-de-caju 53,0 Toneladas
Hevea (látex líquido) 18,0 Toneladas
Mangaba (fruto) 12,0 Toneladas
Aromáticos, medicinais, tóxicos e corantes 1,0 Toneladas
Urucum (semente) 1,0 Toneladas
Tucum (amêndoa) 1,0 Toneladas

Fonte: IBGE – Produção da Extração Vegetal e Silvicultura (PEVS), 2024.

Cada produto extrativo está ligado a um bioma, um ciclo ecológico e um saber tradicional diferente. O açaí, por exemplo, é um alimento importante tanto no Brasil quanto no exterior, enquanto a castanha-do-pará é uma fonte de renda para comunidades ribeirinhas e indígenas.

Produtos como copaíba, andiroba, buriti e cumaru estão ganhando espaço nos setores de cosméticos e farmacêutico, sendo importantes para a bioeconomia amazônica.

3. Desafios e oportunidades para os sistemas produtivos locais na Amazônia

A Amazônia enfrenta desafios como desigualdade social, falta de infraestrutura e dificuldades logísticas. Segundo especialistas, negócios liderados por ribeirinhos, indígenas e extrativistas podem gerar desenvolvimento, mas precisam de apoio para superar esses obstáculos.

Entre os principais desafios estão:

  • Logística precária e custos elevados de transporte.
  • Dificuldade de acesso a crédito e financiamento.
  • Falta de assistência técnica e capacitação.
  • Barreiras para certificação e acesso a mercados justos.

A bioeconomia surge como uma oportunidade para transformar os recursos naturais em produtos de maior valor agregado, como alimentos funcionais, cosméticos naturais e fitoterápicos. Isso pode gerar cadeias mais resilientes e reduzir a dependência da exploração predatória.

A construção de cadeias de valor sustentáveis requer a articulação entre comunidades, governos e empresas, promovendo inovação, governança compartilhada e inclusão social.

4. Considerações finais

Os sistemas produtivos locais da Amazônia precisam conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Apesar dos desafios, a bioeconomia oferece uma oportunidade para valorizar a sociobiodiversidade, gerar renda e promover a inclusão social. Para isso, é fundamental investir em inovação, governança compartilhada e integração entre os diferentes atores da região.

Com informações do Portal Amazônia

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