Pesquisador explica como figuras da floresta ensinam respeito à natureza e valores ancestrais.
As figuras do Curupira, Matim-Taperê e Boto não são apenas lendas, mas crenças profundas dos povos originários da Amazônia. O pesquisador paraense Marcio Neco explica que essas narrativas carregam ensinamentos valiosos sobre respeito à natureza, aos animais e aos limites da exploração da floresta.
“Personagens como o Curupira, a Matim-Taperê e o Anhangá ensinam, por meio das narrativas, valores como o respeito à natureza, aos animais e aos limites do que devemos retirar da floresta”, afirma Neco, autor do livro ‘COP30 nas Escolas’.
A pesquisa de Neco resgata a importância de desconstruir a visão colonizadora que reduziu essas crenças a “folclore”. Ele destaca que essas figuras são parte integrante da cultura espiritual indígena e ainda presentes nas comunidades ribeirinhas.

Ao analisar as crenças dos povos originários, percebemos que cada divindade está ligada a uma força da natureza e também cumpre uma função pedagógica. A Matim-Taperê, por exemplo, não é uma “bruxa”, mas uma entidade ligada aos espíritos e à proteção da floresta. O Curupira protege as matas, o Anhangá cuida da caça, e o Boto orienta questões de educação sexual.
Em um cenário de crise climática, Neco defende que o resgate dessas crenças pode contribuir para novas formas de educação ambiental e sensibilização, promovendo uma relação mais equilibrada entre o ser humano e a natureza.
Para Neco, é fundamental estudar e ressignificar esses conhecimentos para compreender que eles fazem parte de sistemas de crença legítimos, que existiam muito antes da colonização.
Com informações do Portal Amazônia.















