Ações educativas buscam transformar a cultura organizacional e ética profissional
O suor frio nas mãos e a ansiedade que aperta o peito antes mesmo de atravessar o portão do local de trabalho são sinais silenciosos de que o ambiente adoeceu. Para muitos servidores, o local que deveria ser de produtividade tornou-se um gatilho para insônia e problemas gástricos, onde “quando a boca cala, o corpo fala” através de sintomas físicos. É para transformar essa realidade que a Prefeitura de Porto Velho, por meio do Departamento de Saúde Ocupacional da Secretaria Municipal de Administração (Semad), intensifica o enfrentamento ao assédio moral e sexual.
A palestra educativa, que aconteceu nesta quarta-feira (11), no auditório da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles, reuniu gestores da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa). O objetivo da gestão (contidos no material técnico da palestra), é conceituar o assédio para que ele não seja confundido com cobranças profissionais legítimas, que possuem prazos e metas necessárias à administração. A iniciativa já percorreu mais de 65% das unidades municipais, buscando fortalecer a ética e a responsabilidade profissional.
Durante as capacitações, a psicóloga Ludney Mendes explica que o assédio se caracteriza pela repetição sistemática de gestos, palavras ou atitudes que degradam a dignidade do trabalhador. Diferente de um desentendimento pontual, essa conduta abusiva busca isolar o servidor, podendo ocorrer de forma vertical (entre chefes e subordinados) ou horizontal (entre colegas de mesmo nível), gerando as chamadas “doenças invisíveis” e o sentimento de culpa na vítima.
IDENTIFICAR
A análise institucional aponta que, muitas vezes, situações de pressão excessiva ocorrem pela falta de maturidade ou habilidade de lideranças em lidar com pessoas. Identificar comportamentos como o isolamento de um subordinado em reuniões, onde sua fala é repetidamente ignorada, é um dos sinais de alerta que os diretores foram treinados a perceber para intervir precocemente.
Reforçando o caráter preventivo da ação, o prefeito Léo Moraes destaca a valorização do funcionalismo como pilar da cidade. “Nossa gestão é pautada pelo respeito e pela integridade. Não queremos apenas eficiência nos números, queremos um ambiente onde o servidor se sinta seguro”.
As consequências para quem pratica o assédio são graves e podem ultrapassar a esfera administrativa. Enquanto o assédio sexual pode resultar em pena de até dois anos de prisão, o assédio moral abre precedentes para ações de danos morais, ferindo o dever de respeito ao servidor público previsto em lei. A gestão enfatiza que o respeito mútuo é um agravante positivo para a agilidade dos processos de trabalho.
Para facilitar as denúncias e romper a cultura do silêncio, a Prefeitura implementou canais de denúncia via QR Code disponíveis em toda a rede municipal. Esse sistema, monitorado pela empresa Total Life, garante sigilo e encaminhamento adequado das demandas, oferecendo apoio psicológico e segurança jurídica para quem decide falar.
Com a continuidade desse cronograma educativo, Diego Campos, técnico em segurança do Trabalho, diz que Porto Velho busca consolidar uma cultura organizacional baseada no diálogo e na integridade. Ressalta que o foco das ações é a melhoria do clima institucional, reduzindo afastamentos por adoecimento e garantindo que o respeito seja a principal ferramenta de trabalho na administração pública municipal.
Texto: Maximus Vargas
Foto: Júnior Costa
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
Com informacoes da Prefeitura de Porto Velho.











