Ao cruzar a fronteira entre a Venezuela e o Brasil, em Pacaraima (RR), migrantes venezuelanos encontram o primeiro ponto de atendimento e iniciam a jornada para a regularização no país, muitos buscando a interiorização – o processo de transferência para outras cidades brasileiras.
A Operação Acolhida, força-tarefa do Exército criada em 2018, é responsável por coordenar esse fluxo, oferecendo acolhimento, documentação e a possibilidade de recomeçar a vida em outros estados. A operação está monitorando a situação após a recente movimentação política na Venezuela e se declara preparada para um possível aumento no fluxo migratório.
Até o momento, mais de 150 mil venezuelanos foram interiorizados para mais de 1.100 municípios brasileiros. Atualmente, cerca de 5,8 mil pessoas recém-chegadas estão abrigadas em Pacaraima e Boa Vista, aguardando a definição de seus destinos.

Apesar do apoio da Operação Acolhida, a adaptação cultural, a inserção no mercado de trabalho, a reunificação familiar e o enfrentamento ao preconceito são desafios constantes para os migrantes. A interiorização oferece oportunidades, mas não elimina as perdas sofridas durante a trajetória migratória, conforme explica o pesquisador João Carlos Jarochinski Silva, da UFRR.
Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) indicam que quase 1 milhão de venezuelanos entraram no Brasil entre 2018 e 2025. Histórias como a de Daniel Torres, pedreiro que busca o irmão em Macapá (AP), e Marjorie Cabrera, que retornou a Pacaraima para buscar a família e levá-los para Santa Catarina (SC), ilustram a busca por uma nova vida e a importância da interiorização para a reconstrução de laços e a esperança em um futuro melhor.
A Operação Acolhida já realizou mais de 600 mil atendimentos em 2025, garantindo documentação e vacinação para migrantes e refugiados. No entanto, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas mais articuladas para facilitar o reconhecimento de qualificações profissionais e a integração plena dos venezuelanos na sociedade brasileira.
Com informações do Portal Amazônia.












