Em 1968, Manaus (AM) vivenciou uma crise incomum: a falta de café, um item essencial no dia a dia da população. Por semanas, o produto desapareceu das prateleiras, gerando filas, reclamações e dificuldades para comerciantes e consumidores. O episódio se tornou um marco na história do abastecimento da capital amazonense.
Apesar de não ser produtora de café, Manaus dependia quase que exclusivamente de remessas provenientes de outras regiões do país. A interrupção dessas rotas fluviais e marítimas causou a rápida redução dos estoques, levando muitos mercados a ficarem completamente sem o produto. Famílias enfrentavam dificuldades para encontrar café e os comerciantes não tinham previsão de quando seriam reabastecidos.

A crise só foi resolvida com a chegada do navio ‘Cidade de Manaus’, vindo de Belém (PA) com cerca de 20 mil sacas de café. Após 20 dias de escassez, o abastecimento foi normalizado, aliviando a população. O episódio expôs a vulnerabilidade logística da região amazônica na década de 1960.
A economia cafeeira brasileira sempre foi concentrada no Sudeste, e a Amazônia dependia de uma estrutura de distribuição que apresentava deficiências, como atrasos, problemas operacionais e até suspeitas de desvio de cargas. A falta de café em Manaus, portanto, não foi resultado de falta de produção, mas sim de problemas na distribuição. O caso foi inclusive discutido no Senado Federal, com o senador Pedro Carneiro destacando a frequência de atrasos nas rotas Sul-Norte.
O episódio serviu de alerta para a necessidade de organização da sociedade local, culminando na criação da Associação dos Empresários da Amazônia (AEA) e outras iniciativas que visavam fortalecer a economia e o abastecimento da região. A crise do café de 1968 permanece como um exemplo das dificuldades históricas enfrentadas pela Amazônia na garantia do acesso a produtos básicos.
Com informações do Portal Amazônia.










