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17 de fevereiro de 2026

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Crimes na Amazônia: raízes históricas explicam a violência

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A Amazônia, região que abrange oito países e possui características únicas, tem se tornado um novo foco para a ação de grupos criminosos. Para entender as causas desse aumento da violência ambiental, o USP Analisa conversou com o professor e pesquisador Franco Perazzoni, do Núcleo de Estudos Amazônicos da Universidade de Brasília, e com o perito criminal federal Herbert Dittmar.

Crimes Florestais e um Passado Conturbado

Os especialistas explicam que os crimes mais comuns na Amazônia estão ligados à exploração ilegal de recursos naturais. No entanto, essa prática não é nova. Suas origens remontam ao período da colonização portuguesa e se intensificaram durante a ditadura militar, com projetos de ocupação da região, como a construção da Rodovia Transamazônica na década de 1970.

“O governo militar praticamente incentivou a vinda de pessoas do Sul para a região, mas sem oferecer apoio adequado. Conheci moradores do Sul do Amazonas que contaram ter recebido lotes de terra naquela época, mas sem assistência para se estabelecer. Muitas famílias tiveram dificuldades e acabaram abandonando a região. Hoje, é difícil imaginar a situação, sem estradas, hospitais ou qualquer tipo de suporte. E agora, o governo diz que desmatar é crime? As pessoas se sentem revoltadas, afinal, vieram aqui porque foram incentivadas a desmatar”, relata o perito Herbert Dittmar.

A Madeira como Commodity e a Lucratividade Ilegal

Além disso, nos últimos anos, a madeira amazônica se transformou em uma commodity, ou seja, um produto negociado em larga escala no mercado internacional. “Nos últimos 20 anos, as reservas de madeira em outras partes do mundo estão se esgotando. A madeira amazônica é de alta qualidade, mas vendida por um preço baixo, justamente por ser abundante. O que antes era considerado um excedente da ocupação da terra, agora se tornou um produto valioso”, explica o professor Perazzoni.

A alta lucratividade e a falta de punição severa também atraem criminosos para o garimpo ilegal. “Por exemplo, em Roraima, a produção de ouro é praticamente inexistente legalmente. As comunidades tradicionais, muitas vezes, vivem em cima de uma riqueza enorme. Isso gera assédio por parte do crime organizado. A alta lucratividade e a baixa punição tornam esses crimes muito atraentes”, afirma Dittmar.

Perazzoni completa: “É mais vantajoso para o traficante transportar uma tonelada de ouro do que uma tonelada de droga, porque o ouro é mais fácil de legalizar, a pena é menor e o lucro é maior. Além disso, ambas as cargas têm o mesmo peso.”

Ouça a entrevista completa no Podcast Jornal da USP no Ar.

*Conteúdo originalmente publicado pelo Jornal da USP.*

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