Um casal inovador utiliza recursos naturais para sobreviver em isolamento. Eles não trocariam essa vida por nada.
Francisco Luís, carinhosamente chamado de “Paçoca”, e Ermosina Costa são residentes do núcleo de Pupunhas, a única comunidade dentro da Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho (RO), que tem acesso terrestre (mas somente no período da seca). Para viver, eles contam com duas coisas: a natureza e a criatividade.
O casal é produtivo e criativo. Eles produzem desde cocada até artesanato. A matéria prima é encontrada no quintal de casa: cupuaçu e castanha-do-Brasil. Além disso, juntos, eles reutilizam restos de madeira e galhos para personalizar cestos de roupa, vassouras e outros objetos.
‘Tudo no quintal de casa’
Aos 65 anos, Francisco Luís, que passou a vida inteira pescando dentro da Resex, agora é aposentado e se dedica na extração de frutos nativos e na produção de artesanato. Sua esposa, Ermosina Costa, nascida e criada em Porto Velho, optou por se mudar para a reserva há mais de 28 anos para construir uma vida ao lado do marido.
O casal realiza a extração da polpa do cupuaçu e da castanha-do-Brasil e dá uma destinação diferentes aos resíduos que sobram:
Os cascos do cupuaçu são transformados em porta-lápis, copos e cuias feitas por Francisco; a castanha-do-Brasil torna-se a matéria-prima para as deliciosas cocadas e paçocas preparadas por Dona Ermosina.
Além disso, galhos e pedaços de madeira recebem uma nova vida nas mãos do casal, e viram cestos, vassouras e tábuas para cozinha.
“Aqui a gente faz de tudo um pouco e é mais fácil porque está tudo na nossa área. É só ir ali no quintal”,
explica o morador.

O comércio da família
A Pupunhas é a única comunidade com acesso terrestre no Lago Cuniã, mas a estrada tem um período muito específico para aparecer: durante a seca. O caminho fica localizada um quilômetro depois do distrito de São Carlos.
No período de chuva, essa estrada fica intrafegável. Pra ter acesso à comunidade só restam dois caminhos: por barco ou por uma trilha conhecida exclusivamente pelos locais.
Ao chegar na comunidade de Pupunhas, a primeira residência vista é de seu Francisco. Em sua casa, ele possui um “comércio” construído com palha, onde comercializa os produtos artesanais, a castanha in natura e iguarias preparadas por sua esposa.
Francisco destaca que as vendas desse estabelecimento contribuem para a renda familiar e muitos moradores visitam diariamente e compram diversos utensílios.
“De pouco em pouco a galinha enche o papo”,
comenta.
Como é incomum o encontro com visitantes dentro da reserva, o comércio da família exibe um mural com várias fotos antigas com retratos tanto de moradores locais quanto de pessoas especiais que passaram pela comunidade.










