A coruja “carinha de maçã” (Tyto furcata), conhecida por diversos nomes como rasga-mortalha, coruja-da-igreja e suindara, é cercada de mitos. Seu grito agudo e alto frequentemente é associado a mau presságio e até mesmo à morte, mas a verdade é que a ave desempenha um papel crucial no equilíbrio ecológico.
A origem do nome “rasga-mortalha” remete ao som do canto da coruja, comparado ao rasgar de um tecido usado para envolver cadáveres. A crença de que sua presença indica desgraça é antiga, presente desde a época do Império Romano, com relatos do historiador Plínio, o Velho, que a chamava de “monstro da noite”. No Brasil, a lenda se mistura com o folclore amazônico, associando a suindara à figura da Matinta Pereira.
Apesar do imaginário popular, o canto da coruja serve para comunicação com o parceiro e demarcação de território, não como um aviso de morte. Biólogos explicam que a associação entre sons de aves noturnas e presságios é comum em diversas culturas, herança de tradições medievais.

As suindaras são predadoras eficientes, alimentando-se principalmente de ratos, o que as torna importantes no controle de populações de roedores e na prevenção de doenças. Sua audição aguçada, a capacidade de girar a cabeça em 270° e o voo silencioso a tornam exímias caçadoras. Além disso, a coruja é um bioindicador da saúde do ecossistema, sensível a poluentes e metais pesados.
Essas aves, com quase 30 milhões de anos de existência, são românticas e fiéis, formando casais para a vida toda. A fêmea e o macho dividem tarefas no cuidado com os filhotes, garantindo a continuidade da espécie. Longe de ser um mau presságio, a presença da suindara é um sinal de um ambiente saudável e equilibrado.
Com informações do Portal Amazônia.







