Empréstimo de R$ 12 bilhões socorre Correios em meio à crise. Operação tem garantia da União e juros limitados
Os Correios fecharam, na sexta-feira (26), um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco dos principais bancos do país – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – para mitigar a crise financeira que a estatal enfrenta.
A assinatura do contrato foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) neste sábado (27). O acordo, válido até 2040, conta com a garantia da União, o que reduz o risco para as instituições financeiras. O empréstimo bilionário foi autorizado pelo Tesouro Nacional após cinco bancos apresentarem propostas de financiamento.
O governo federal se compromete a honrar as parcelas do pagamento caso os Correios não consigam cumprir suas obrigações. Essa garantia adicional foi crucial para a aprovação do crédito. Inicialmente, o Tesouro rejeitou uma proposta de R$ 20 bilhões, devido à taxa de juros de 20% ao ano, superior ao limite estabelecido para empréstimos com garantia da União.
A crise dos Correios se intensificou nos últimos 12 trimestres, com prejuízos acumulados desde 2022. No primeiro semestre de 2025, o prejuízo atingiu R$ 4,36 bilhões, o maior da história da estatal. Os principais fatores da crise incluem aumento dos gastos com pessoal, mudanças no programa Remessa Conforme (que impactaram as receitas com encomendas internacionais), queda no fluxo de caixa, crescimento das despesas com precatórios e o fato de que 85% das agências operam no prejuízo.
Para reverter o cenário, a nova gestão implementou um plano de reestruturação que inclui corte de custos, Programa de Demissão Voluntária (PDV), venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, redução da jornada de trabalho e mudanças nos planos de saúde. A privatização dos Correios voltou a ser debatida, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou a possibilidade, afirmando: “Enquanto eu for presidente não vai ter privatização. Pode ter construção junto com empresas. Enquanto eu estiver na presidência não vai ter privatização dessas empresas, pode ter parceria, economia mista, mas privatização não vai ter”.
Lula também avaliou que as dificuldades financeiras da empresa podem ser resultado de uma “gestão equivocada” e prometeu mudanças: “Uma empresa pública não pode ser a rainha do prejuízo. Trocamos o presidente dos Correios, chamamos a ministra Esther e Rui, colocamos alguém com muita expertise e responsabilidade e vamos tomar medidas que tivermos que tomar, mudar todos os cargos que tivermos que mudar e colocar pessoa com competência”.
Com informações do G1










