A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos enfrenta uma grave crise econômico-financeira, que se intensificou a partir de meados de 2022 e persiste na atual gestão. A empresa registrou um déficit de R$ 4,36 bilhões no primeiro semestre de 2025, o maior da sua história, e busca um empréstimo de R$ 20 bilhões para tentar reverter a situação.
Fatores da crise
O prejuízo bilionário representa o primeiro desde 2016, quando a estatal já havia registrado um déficit de R$ 1,5 bilhão (equivalente a R$ 2,3 bilhões em valores atualizados). Em 2024, o prejuízo alcançou R$ 2,6 bilhões. Diversos fatores contribuem para o cenário atual:
Gastos com pessoal
Os altos gastos com pessoal têm sido um problema recorrente. Reajustes salariais, acordos com o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e abonos indenizatórios impactaram significativamente as contas da empresa. Apenas em 2022 e 2023, o impacto dos reajustes salariais foi de R$ 2,12 bilhões. Em 2024, um novo acordo coletivo concedeu até 6,57% de reajuste para 71 mil empregados, elevando os gastos com folha em R$ 894 milhões. No primeiro semestre de 2025, o aumento na folha de pagamento foi de R$ 547 milhões.
Remessa conforme
A implementação do programa “Remessa Conforme”, que instituiu a cobrança de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, também afetou as receitas dos Correios. A medida permitiu que empresas de transporte fizessem o frete de mercadorias internacionais, reduzindo a dependência da estatal para a distribuição de encomendas. Um estudo da empresa aponta uma frustração de receita de R$ 2,2 bilhões após a implementação do programa.
Fluxo de caixa e dívidas
O aumento de despesas e a redução de receitas impactaram o fluxo de caixa da empresa. Em 2023, os Correios possuíam R$ 3,2 bilhões disponíveis. Em 2024, esse valor caiu para R$ 249 milhões, uma redução de 92%. A empresa recorreu a empréstimos para pagar as contas, com juros que somam R$ 69 milhões. Além disso, houve um acordo com a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) para assumir uma dívida referente ao Plano de Benefício Definido (PBD) de aposentadoria, com pagamentos que podem chegar a R$ 7,8 bilhões.
Medidas adotadas
Os Correios anunciaram um plano para reverter a crise, que inclui corte de despesas operacionais e administrativas, busca por diversificação de receitas e recuperação da liquidez. Um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) será aberto, e a empresa pretende vender imóveis ociosos e renegociar contratos com fornecedores. A captação de R$ 3,8 bilhões com o New Development Bank (NDB) também está prevista para investimentos internos.
Privatização em debate
A privatização dos Correios voltou a ser debatida como uma possível alternativa. Especialistas argumentam que a empresa precisa de uma gestão mais eficiente e que a privatização poderia trazer benefícios, mas a universalização do serviço postal em todo o território nacional representa um desafio.










