Em resposta a críticas de EUA e Rússia, conta francesa no X usa humor e ironia para defender a França e a Europa
Uma conta no X (antigo Twitter) gerenciada pela chancelaria francesa tem utilizado ironia, memes e piadas para responder a comentários críticos provenientes dos Estados Unidos e da Rússia. A conta, chamada “French Response” (Resposta Francesa), surgiu como uma ferramenta para combater a desinformação online e defender os interesses franceses.
A iniciativa começou após críticas do senador americano Marco Rubio à cultura europeia. Em resposta, a conta publicou uma tabela comparativa que demonstrava que a União Europeia supera os Estados Unidos em diversos indicadores de qualidade de vida, como expectativa de vida e dívida estudantil. A imagem, que rapidamente viralizou, foi acompanhada da frase “Nossa cultura”.
“French Response” é parte de uma estratégia mais ampla da França para se defender contra a crescente onda de desinformação. De acordo com o porta-voz da diplomacia francesa, Pascal Confavreux, a internet se tornou “um novo campo de batalha”, e a França optou por “ocupar o espaço aumentando o volume e levantando a voz”. A conta já acumula mais de 100 mil seguidores, embora ainda seja pequena em comparação com a audiência de Elon Musk, proprietário da plataforma.
A conta é administrada por uma equipe composta por diplomatas, ex-jornalistas e verificadores de fatos. Recentemente, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, a conta reagiu a um encontro entre o presidente francês Emmanuel Macron e Donald Trump, onde Macron usava óculos de aviador devido a uma hemorragia ocular. Após Trump zombar dos óculos, a conta “French Response” celebrou as manchetes que comparavam Macron ao personagem Maverick de “Top Gun”, escrevendo: “Quando o mundo faz a sua resposta francesa por você”.
A estratégia de resposta também está sendo adotada pelas embaixadas francesas ao redor do mundo. Em um exemplo recente, a embaixada francesa na África do Sul rebateu acusações da embaixada russa sobre a posse francesa do território de Mayotte, no oceano Índico, questionando ironicamente se os russos conhecem os conceitos de referendo, eleições e democracia. No entanto, especialistas alertam para o risco de que essa abordagem possa validar a queda do ecossistema informativo em direção a um discurso mais provocativo e criar uma equivalência entre instituições democráticas e atores da desinformação.
Em resposta a uma postagem de um usuário americano que sugeria que os EUA poderiam facilmente conquistar a França após a Groenlândia e o Canadá, a conta “French Response” brincou com a possibilidade da Estátua da Liberdade “nadando de volta através do Atlântico”, preferindo “os termos e condições originais”, em referência ao presente da França aos Estados Unidos no século XIX.
Com informações do G1












