Trump lança ‘Conselho da Paz’ com recursos bilionários e países europeus recusam convite. Lula critica iniciativa e defende reforma da ONU
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou o “Conselho da Paz” na quinta-feira (22), convidando cerca de 60 países a integrar a iniciativa. Até o momento, ao menos 23 aceitaram, enquanto seis rejeitaram o convite.
O Conselho da Paz tem como objetivo atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, podendo expandir sua atuação para outros conflitos internacionais. No entanto, diplomatas expressam preocupação de que a medida possa enfraquecer as Nações Unidas.
De acordo com o estatuto do conselho, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo. Países que desejarem um assento permanente deverão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões), recursos que serão administrados pelo próprio Trump. Argentina e Israel foram dos primeiros a aderir, enquanto nações europeias demonstraram preocupação.
O Brasil ainda avalia a proposta. Nesta sexta-feira (23), o presidente Lula criticou a iniciativa, afirmando: “Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países — como México, Brasil e países africanos — o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”.
O governo brasileiro não tem pressa em responder e pretende solicitar esclarecimentos técnicos sobre possíveis brechas jurídicas no estatuto do conselho. A estratégia é usar o debate em torno da iniciativa de Trump como argumento para defender uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral, em setembro.
Diplomatas consideram o plano de Trump um sinal da falência do sistema multilateral atual, destacando que o novo órgão ganha força devido à incapacidade do Conselho de Segurança em resolver crises como a de Gaza. “Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual”, avaliou uma fonte da diplomacia brasileira.
Até agora, França, Noruega, Eslovênia, Suécia, Espanha e Alemanha recusaram o convite. O Canadá teve seu convite cancelado por Trump após uma troca de críticas com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial.
Com informações do G1










