A Comunidade Quilombola Pedras Negras, em Rondônia, é um dos poucos povos no Brasil legalmente autorizados a consumir tracajás e tartarugas-da-Amazônia, prática que faz parte de sua identidade cultural há mais de dois séculos. Localizada às margens do rio Guaporé, a comunidade é reconhecida como uma das mais importantes populações tradicionais do estado.
A tradição, transmitida por gerações de descendentes de pessoas escravizadas, está ligada à história de formação de Rondônia. O consumo é restrito ao território da comunidade e não permite a comercialização, seguindo regras para garantir a preservação das espécies.
Além da carne, a comunidade utiliza a banha da tartaruga para cuidados com a pele e os ovos no preparo de alimentos como gemadas e bolos. No entanto, os moradores evitam servir o animal a visitantes, pois o consumo é legalmente restrito a comunidades tradicionais.
Apesar da legislação permitir o consumo sustentável, o Ibama ressalta a importância de respeitar os limites para evitar o risco de extinção. A fiscalização tem diminuído as ocorrências de consumo ilegal, e a conscientização ambiental tem promovido a mudança de comportamento em relação ao consumo de tartarugas.
Projetos como o Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) atuam na preservação das tartarugas através do manejo de ninhos e soltura de filhotes, devolvendo cerca de 1,5 milhão de tartarugas à natureza desde 1979.

Apesar dos desafios enfrentados pelos quelônios, como predadores e baixa taxa de sobrevivência dos filhotes, o projeto tem contribuído para aumentar a taxa de indivíduos que atingem a idade reprodutiva.
Com informações do Portal Amazônia.










