Um projeto comunitário às margens do Rio Cassiporé, em Oiapoque (AP), está fazendo a diferença na preservação de tartarugas e tracajás na Amazônia. A iniciativa, que começou em 2008, já devolveu milhares de filhotes à natureza, ajudando a repovoar os rios da região.
O trabalho é liderado por Raimundo Benedito Miranda, 69 anos, morador da Vila Velha do Cassiporé. Com a ajuda da família, ele coleta os ovos, os incuba em seu quintal e acompanha a soltura dos filhotes nos rios da região. “No primeiro ano soltamos mais de 600 desses animais”, conta Raimundo.
A ação é crucial para a sobrevivência dessas espécies. O tracajá, de casco arredondado, vive tanto na água quanto em terra, enquanto a tartaruga, com casco mais duro e alongado, passa a maior parte do tempo aquática, saindo apenas para desovar.
Raimundo começou o projeto preocupado com o desaparecimento dos animais. Inicialmente, a ideia era incubar os ovos atrás de uma escola, mas encontrou resistência na comunidade. Desde então, utiliza seu quintal como local seguro para a incubação.
“Vamos em campos e prainhas para coletar os ovos. Contamos com a ajuda de cunhados, primos e outros parentes. As tartarugas precisam de cuidados especiais antes de serem soltas, como proteção contra chuvas e predadores. Já vimos filhotes até entrando no casco uns dos outros!”, relata Raimundo.
Jandira Miranda, irmã de Benedito, destaca o impacto positivo do trabalho. “É muito importante o que meu irmão faz para preservar esses animais. Se não fosse por ele, não teríamos essa quantidade hoje. Muitas pessoas não têm consciência e só pensam em destruir o que existe”, afirma.
Além da soltura dos filhotes, o projeto também tem um forte componente de educação ambiental, recebendo estudantes da região que acompanham o processo de perto. O manejo comunitário se mostra fundamental para aumentar a população desses animais nos rios do Amapá, garantindo a continuidade das espécies.
*Por Crystofher Andrade, estagiário sob supervisão de Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP











