Os festivais de música experimentam uma curva de crescimento exponencial no Brasil. Segundo levantamento da plataforma Mapa dos Festivais, houve um aumento de 18% no número de eventos no primeiro semestre de 2024, quando comparado ao mesmo período do ano anterior.
O mercado de eventos no Brasil segue em ritmo acelerado e deve alcançar um volume de R$ 141,1 bilhões em 2025, segundo projeções da Abrape (Associação Brasileira de Promotores de Eventos). Esse crescimento representa um aumento de 8,4% em relação a 2024 e reforça o papel dos grandes festivais como alavancas para o setor.
Com o aumento destes eventos, bem como de grandes shows em estádios, é necessário que eles sejam acolhedores para todas as pessoas. Essa discussão tem sido cada vez mais presente nos últimos anos, trazendo mudanças efetivas para o mercado do entretenimento.
Historicamente, muitos eventos esqueceram da necessidade de espaços sensoriais adaptados, comunicação acessível e suporte especializado para aqueles que enfrentam desafios em ambientes super estimulantes. Para pessoas autistas, por exemplo, a combinação de luzes intensas, sons altos e grandes multidões pode sobrecarregar a pessoa e dificultar viver a plena experiência do show.
Bons exemplos de festivais inclusivos
Embora festivais de música e autismo nem sempre sejam palavras associadas, eventos internacionais de grande porte, como os festivais Electric Picnic, na Irlanda, e Glastonbury, na Inglaterra, têm adotado medidas para tornar suas experiências mais acessíveis, incluindo tendas sensoriais para o público neurodivergente.
Além disso, têm surgido festivais projetados especificamente para esse público, como o Sensoria, realizado em Dublin, como parte de um plano para se tornar a primeira cidade autism friendly do mundo. O evento é gratuito e conta com domos e jardins sensoriais, espaços de relaxamento, atividades táteis e apresentações adaptadas. No Reino Unido, o Spectrum Autism Friendly Festival oferece atividades como oficinas de arte, culinária e teatro sensorial..
“A acessibilidade vai além das adaptações físicas. A disponibilização de informações claras e antecipadas sobre a programação, mapa do evento e pontos de apoio pode fazer toda a diferença. Outra iniciativa essencial é a presença de profissionais capacitados e espaços exclusivos que possam oferecer suporte durante todo o evento”, destaca a psicóloga e Vice Presidente Clínica da Genial Care, Thalita Possmoser.
A relação da música com pessoas autistas
A música desempenha um papel fundamental no desenvolvimento e bem-estar de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Estudos indicam que ela pode atuar como uma ferramenta para a comunicação, ajudando a expressar sentimentos, estimular a interação social e promover a expressão emocional.
No entanto, há uma carência de dados estatísticos sobre a participação de autistas em grandes eventos musicais. Iniciativas como o programa Soy Músico da Orquestra Filarmônica de Medellín, que integra jovens neurodivergentes em atividades musicais, demonstram o potencial transformador da música.
“Com medidas adequadas e maior conscientização, festivais de música podem ser espaços mais inclusivos, garantindo que todos aproveitem a experiência com conforto e segurança. Os grandes eventos têm avançado na direção da acessibilidade, mas é fundamental que essa pauta continue sendo aprimorada para atender a todos os públicos de forma igualitária”, afirma Thalita. “Essas iniciativas demonstram que é possível grandes eventos promoverem um ambiente inclusivo e acolhedor, garantindo que todos os participantes, independentemente de suas necessidades, possam desfrutar plenamente do festival”, finaliza a Vice Presidente Clínica da Genial Care.










