O ecossistema da inteligência artificial (IA) foi atingido por uma tempestade de informações desencontradas nos últimos dias. Nomes como Clawdbot, Moltbot e OpenClaw tornaram-se tópicos centrais em discussões sobre o futuro da automação. Enquanto vídeos virais sugerem um cenário de agentes autônomos fora de controle, uma investigação técnica revela uma realidade mais pragmática, porém não menos fascinante: o nascimento de uma nova era de ferramentas “agênticas”.
A Gênese do OpenClaw: do viral ao código aberto
O OpenClaw é um assistente de IA de código aberto (open-source) concebido pelo desenvolvedor Peter Steinberger, fundador da PSPDFKit. Lançado originalmente sob o nome Clawdbot em janeiro de 2026, o projeto alcançou um marco histórico ao superar 100 mil estrelas no GitHub em tempo recorde.
A mudança de nomenclatura ocorreu em duas etapas: primeiro para Moltbot, devido a disputas de marca com a Anthropic (criadora do modelo Claude), e finalmente para OpenClaw. A ferramenta permite que usuários operem um agente de IA localmente, capaz de interagir com aplicativos como WhatsApp, Telegram e Discord para gerenciar e-mails, agendar tarefas e automatizar fluxos de trabalho complexos sem a necessidade de comandos constantes.
A controvérsia dos tokens: falha de design ou conspiração?
Um dos pontos mais sensíveis levantados por especialistas e usuários de tecnologia é o custo operacional do sistema. Relatos indicam que o OpenClaw pode consumir volumes massivos de tokens, as unidades de processamento de modelos de linguagem como o Claude. Em alguns casos, usuários reportaram gastos de até US$ 50 em apenas 48 horas.
Parece que o problema aponta para a natureza “agêntica” do software. Por ser proativo, o sistema pode entrar em loops de raciocínio, executando múltiplas iterações para concluir uma única tarefa. Trata-se de um desafio de eficiência e otimização de APIs pagas, e não de um design malicioso.
Moltbook.com: simulação social ou rede de bots?
O site Moltbook.com emergiu como o epicentro das narrativas mais alarmistas. Apresentado como uma “rede social para agentes”, o portal permite que IAs postem, discutam e votem em conteúdos de forma autônoma, enquanto humanos atuam como observadores.
Embora circulem capturas de tela com manifestos “anti-humanos” atribuídos a esses bots, é necessário cautela. Como a plataforma é integrada ao ecossistema OpenClaw, qualquer usuário com uma chave de API (um tipo de chave de acesso do sistema) pode configurar um agente para postar conteúdos provocativos. Grande parte do tom apocalíptico presente nessas interações é, na verdade, reflexo de comandos inseridos por humanos (prompts) para gerar engajamento ou memes, e não uma manifestação espontânea de consciência da IA.
Segurança e riscos reais
Apesar do sensacionalismo ser descartado, o OpenClaw apresenta riscos reais de segurança se mal configurado. Ao conceder permissões totais de acesso ao sistema operacional (especialmente em configurações que ignoram camadas de segurança), o usuário se expõe a possíveis vazamentos de dados ou injeções de prompts maliciosos.
Então, antes de dar acesso ao seu sistema, ao seu dispositivo, para e pense para quem você está dando acesso e quais informações podem acessar.
A recomendação técnica para entusiastas é o uso de ambientes isolados, como containers Docker, e o monitoramento rigoroso das chaves de API.
O fenômeno OpenClaw marca 2026 como o ano da democratização dos agentes de IA. Entre o medo do desconhecido e o potencial de produtividade, a transparência do código aberto permanece como a melhor ferramenta de defesa e evolução para o usuário final.












