Um inventário rápido realizado no extremo oeste do Amazonas reuniu cientistas de cinco países e especialistas indígenas para documentar a rica biodiversidade e a cultura do Alto Rio Içá. O estudo, apresentado no dia 27 de fevereiro, resultou no ‘Relatório do Inventário Rápido Biológico e Social do Alto Rio Içá #33’, lançado no Auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).
A expedição, que durou 25 dias em maio de 2025, mapeou a geologia, flora, vegetação e catalogou diversas espécies de animais – peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos – da região. Além disso, o relatório detalha a história socioambiental local, o etnoconhecimento, a gestão territorial, a governança e os conflitos socioambientais presentes no Alto Rio Içá.
A pesquisa, caracterizada como um trabalho de ciência intercultural, buscou valorizar o conhecimento tradicional dos povos indígenas – como os Kukama, Tikuna e Kambeba – que habitam a área, que compreende 350,8 mil hectares de florestas públicas. O objetivo é fortalecer a proteção territorial da região, ameaçada pelo garimpo, extração de madeira e tráfico de animais.

“Os Kukamas, Tikunas e demais povos, são guardiões, cuidam das florestas e dos rios, por isso é importante valorizar esse conhecimento milenar indígena e fortalecer ainda mais o protagonismo das comunidades no manejo dos recursos naturais, que eles conhecem muito bem”, destacou Jeremy Campbell, coordenador do Inventário e diretor do Programa Andes-Amazonas, no Field Museum. Ana Luiza Melgaço, da Wildlife Conservation Society – WCS-Brasil, ressaltou que o relatório é fruto da confiança construída com as comunidades e do compromisso com uma conservação que respeita a ciência indígena.
Com informações do Portal Amazônia.










