Informação é com a gente!

14 de março de 2026

Informação é com a gente!

14 de março de 2026

Cientistas buscam na Amazônia pistas contra o Alzheimer

peixe-post-madeirao
peixe-post-madeirao

Últimas notícias

03/03/2026
Publicação legal: Comunicado de retificação de edital pregão eletrônico Nº 90000/2026
03/03/2026
Publicação legal: Aviso de Licitação Nº1/2026 – IPAM-GAB/IPAM-SCL
23/02/2026
Publicação legal: Aviso de Licitação Nº1/2026 – Ipam-Gab/Ipam-SCL
09/02/2026
Publicação legal: Pedido de Renovação da Licença de Operação
12/01/2026
Edital de convocação: ASSOCIAÇÃO BENEFICIENTE QUEIROZ ALMEIDA
02/01/2026
Pedido de renovação de licença de operação e outorga
02/01/2026
Pedido de renovação de licença de operação e outorga
12/12/2025
Publicação legal: Edital de convocação
12/12/2025
Publicação legal: Termo de adjudicação e homologação
02/12/2025
Asprocinco: Comunicado de recebimento de recurso e publicação

Um projeto inovador que visava testar o potencial de plantas da Amazônia no tratamento do Alzheimer, utilizando uma tecnologia de ponta chamada “minicérebros”, enfrentou um revés com cortes de financiamento do governo americano. A pesquisa, liderada pelo cientista brasileiro Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, explorava uma abordagem inédita para entender e combater a doença neurodegenerativa.

Em 2019, a equipe de Muotri já havia enviado “minicérebros” – organoides, ou seja, estruturas esféricas de células neurais que simulam o funcionamento do cérebro humano – para a Estação Espacial Internacional. O objetivo era observar os efeitos da microgravidade no envelhecimento cerebral. Os resultados iniciais mostraram que o ambiente espacial acelera o processo de envelhecimento desses tecidos, revelando respostas autoimunes a fragmentos de DNA que podem estar ligados ao desenvolvimento do Alzheimer.

A partir dessa descoberta, Muotri planejava levar a pesquisa adiante, testando extratos de plantas da Amazônia conhecidas por seus efeitos neuroativos. A ideia era identificar moléculas que pudessem proteger as células cerebrais ou reverter os danos causados pela doença. Para isso, ele estabeleceu uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e comunidades indígenas, especialmente os Huni Kuins, para obter acesso ao conhecimento tradicional sobre as plantas da região.

O projeto ambicioso incluía a participação de Muotri como um dos primeiros “cientistas-astronautas”, que realizariam experimentos diretamente no espaço. No entanto, a missão foi paralisada devido a cortes significativos nos recursos destinados à ciência por parte do governo americano, incluindo a Nasa. Muotri ressalta que a demora na nomeação de um novo administrador para a Nasa também contribuiu para a suspensão da pesquisa.

Apesar do obstáculo, o cientista não desiste. Ele busca agora alternativas de financiamento, como parcerias com agências espaciais privadas (SpaceX, Axiom Space, Vast) e com a indústria farmacêutica e filantrópica. “A cura para o Alzheimer, ou mesmo um tratamento eficaz, pode gerar uma grande economia para os países, justificando o investimento em pesquisa”, afirma Muotri.

Um aspecto importante do projeto é a garantia de que, caso novos fármacos sejam desenvolvidos a partir das plantas amazônicas, os royalties serão destinados à conservação da floresta e ao apoio aos povos originários, reconhecendo o valor do conhecimento ancestral.

Além dos estudos sobre o Alzheimer, o grupo de Muotri também está envolvido em pesquisas sobre outras doenças neurológicas, como a síndrome de Rett e a síndrome de Pitt-Hopkins, com resultados promissores que podem levar a novos tratamentos.

Entenda mais sobre o experimento: A reportagem é baseada em entrevista concedida por Alysson Muotri à Agência FAPESP.

Página inicial / Saúde / Cientistas buscam na Amazônia pistas contra o Alzheimer