A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro, precisa ser um marco na luta contra o aquecimento global. A afirmação é do renomado cientista climático Carlos Nobre, um dos maiores especialistas em clima do mundo.
Em entrevista à Agência FAPESP, Nobre enfatizou a necessidade de todos os países intensificarem a redução de emissões de gases de efeito estufa para evitar que a temperatura global ultrapasse o limite de 2°C de aquecimento até 2050. Segundo ele, ultrapassar essa barreira pode desencadear eventos irreversíveis.
“Se chegarmos a 2050 com 2°C ou, pior, 2,5°C de aquecimento, vamos disparar vários pontos de não retorno”, alertou Nobre, destacando que a Amazônia, em um cenário de aquecimento extremo, pode deixar de ser uma aliada na absorção de carbono e se tornar uma fonte emissora.
Nobre, que foi o primeiro coordenador científico do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) – o maior projeto científico já realizado em floresta tropical – ressalta a importância de iniciativas como essa para entender os impactos das mudanças climáticas na região.
O que esperar da COP30?
Para Carlos Nobre, a COP30 deve ser tão importante quanto a COP21, em Paris, e a COP26, em Glasgow. “Essa terá de ser a mais importante das 30 COPs”, enfatizou. Ele lembra que a COP21 estabeleceu metas voluntárias de redução de emissões para cada país, e a COP26 reforçou a necessidade de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
“A ciência mostra que, para isso, precisamos reduzir 43% das emissões até 2030, em relação aos níveis de 2019, e zerar as emissões líquidas até 2050”, explicou Nobre. No entanto, ele alerta que as metas atuais dos países ainda estão muito aquém do necessário, e as emissões continuam em alta.
Apesar da possível ausência dos Estados Unidos, um dos maiores emissores históricos de gases de efeito estufa, Nobre acredita que a COP30 pode ser um momento crucial para acelerar a transição energética e garantir um futuro mais sustentável. Ele defende a necessidade de investimentos massivos em energias renováveis, como solar e eólica, e em medidas de adaptação aos impactos das mudanças climáticas.
Riscos para o Brasil
Nobre também alertou para os riscos que o Brasil enfrenta com as mudanças climáticas, como o aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, como secas, inundações e ondas de calor. Ele ressaltou a importância de proteger as populações vulneráveis e investir em infraestrutura resiliente.
O cientista destacou ainda a importância da restauração florestal e da conservação da Amazônia, que desempenha um papel fundamental na regulação do clima e na manutenção da biodiversidade. Ele enfatizou que o LBA foi fundamental para entender a dinâmica da floresta e os riscos que ela enfrenta.
“O LBA foi o que mais mostrou que estamos muito próximos de um ponto de não retorno”, afirmou Nobre. “Precisamos agir agora para proteger a Amazônia e garantir um futuro sustentável para o planeta.”










