Morte de enfermeiro em operação do ICE reacende debate sobre cidades-santuário nos EUA e a política de Trump contra a imigração
A morte de Alex Pretti, um enfermeiro americano baleado durante uma operação anti-imigração em Minneapolis, reacendeu a tensão nos Estados Unidos e colocou novamente no centro do debate as chamadas “cidades-santuário”. O presidente Donald Trump intensificou a pressão para que o Congresso aprove uma lei que elimine essas políticas, que limitam a cooperação de autoridades locais com o órgão federal de imigração, o ICE (Immigration and Customs Enforcement).
Minneapolis, uma das cidades-santuário, concentra um grande número de imigrantes e tem sido alvo de operações do ICE nas últimas semanas. Essas ações têm gerado indignação e protestos, principalmente devido à violência empregada. A morte de Pretti intensificou ainda mais a polêmica.
Mas afinal, o que são cidades-santuário? O termo se refere a municípios que adotam políticas mais tolerantes em relação a imigrantes em situação irregular. Na prática, isso significa que autoridades locais, como a polícia, geralmente não colaboram com agentes federais para identificar, deter ou deportar pessoas sem documentação. Não existe uma lei federal que regule as cidades-santuário; a classificação é simbólica e varia de acordo com o local.
A origem do termo “santuário” remonta à Idade Média, quando igrejas e mosteiros ofereciam abrigo a pessoas perseguidas. Nos Estados Unidos, o conceito ganhou força no fim do século 20, quando grupos religiosos e ativistas ajudaram imigrantes da América Central a fugir de regimes ditatoriais. Nova York, Los Angeles e Chicago são exemplos conhecidos de cidades que adotam essa política.
Segundo o sociólogo Ernesto Castañeda, diretor do Laboratório de Imigração da Universidade Americana, em Washington, a ideia moderna de cidade-santuário é uma “autodeclaração política”. “Não existe uma definição legal. Não há uma lei federal de ‘santuário’. É um conceito aplicado caso a caso, com foco na tolerância a populações estrangeiras e sem documentos”, afirmou à BBC em 2025.
Trump já havia tentado restringir o financiamento federal para cidades-santuário em seu primeiro mandato, mas a iniciativa foi barrada pela Justiça. Mesmo assim, o governo voltou a pressionar e publicou uma lista de “jurisdições santuário”, onde vivem cerca de 160 milhões de pessoas. Ao longo de 2025, o ICE intensificou as operações em cidades como Chicago, Los Angeles, Atlanta, Denver, Miami e San Antonio.
Recentemente, Gregory Bovino, chefe de uma operação anti-imigração ligada à morte de Pretti, foi removido do cargo. A situação demonstra a crescente pressão sobre as autoridades federais em relação às políticas de imigração e à atuação do ICE.
Com informações do G1










