China impõe cotas à importação de carne bovina, afetando o Brasil, seu maior fornecedor. Medida visa proteger produtores locais
A China anunciou a imposição de cotas anuais para a importação de carne bovina, uma medida que visa proteger os produtores locais. O país é o segundo maior consumidor mundial do produto, atrás apenas dos Estados Unidos, e a decisão impacta diretamente o Brasil, seu principal fornecedor.
A partir de 1º de janeiro de 2026, as empresas chinesas deverão seguir as cotas estabelecidas para importar carne bovina de países como o Brasil. Além disso, uma tarifa de 55% será aplicada sobre as importações que excederem esses limites. A cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas, com aumento previsto para os anos seguintes.
O Brasil recebeu a maior cota, de 1,1 milhão de toneladas, mas o volume é ligeiramente inferior ao que o país exportou para a China até novembro deste ano, que foi de 1,52 milhão de toneladas. Em 2024, a China importou um recorde de 2,87 milhões de toneladas de carne bovina. A China foi responsável por 48% do volume total exportado pelo Brasil em 2025 e por 49,9% do faturamento, totalizando US$ 8,08 bilhões.
O governo brasileiro minimizou o impacto da medida. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a decisão “não é algo tão preocupante” porque o Brasil já está exportando um volume próximo ao da cota. No entanto, ele indicou que o governo buscará negociar com a China, inclusive a possibilidade de transferência de cotas de outros países para o Brasil.
A decisão chinesa é resultado de uma investigação iniciada em 2024 sobre os impactos das importações de carne bovina na indústria nacional. O Ministério do Comércio da China justificou a medida alegando que “o aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria nacional”. Analistas apontam que a pecuária chinesa não é competitiva em comparação com países como Brasil e Argentina.
Nos primeiros 11 meses deste ano, o Brasil exportou 1,33 milhão de toneladas de carne bovina para a China, superando os limites das novas cotas. Paralelamente, as exportações australianas para a China cresceram, ganhando participação de mercado em detrimento dos Estados Unidos, após Pequim restringir as licenças de frigoríficos americanos.
Com informações do G1








