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25 de janeiro de 2026

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Cheia do rio Guaporé causa morte de filhotes de tartaruga em RO

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Nível elevado do rio Guaporé ameaça maior berçário de tartarugas de água doce do mundo, em Rondônia, com a morte de filhotes

A cheia do rio Guaporé ameaça o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo, localizado em São Francisco do Guaporé (RO), na fronteira com a Bolívia. Com a elevação do nível do rio, áreas que antes ficavam secas foram alagadas, fazendo com que muitos filhotes morram afogados ainda nos ninhos.

As alterações no regime de chuvas têm afetado diretamente o ciclo reprodutivo das tartarugas na região amazônica. As mudanças climáticas atrasaram o período de desova e alteraram o nascimento dos filhotes, aumentando os riscos à espécie.

Para tentar minimizar os impactos, voluntários trabalham diariamente cavando a areia das margens do rio para resgatar as tartaruguinhas ainda dentro dos ninhos. O trabalho é realizado pela Ecovalle, uma associação sem fins lucrativos que há 26 anos atua em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na preservação da espécie. A mobilização tem atraído não só voluntários da associação, mas também moradores, pescadores e turistas.

“Estão pescadores, turistas, vieram e se sensibilizaram com essa situação e estão aqui ajudando a salvar filhotes, estávamos salvando o maior número possível que a gente conseguir”, conta o voluntário Zeca Lula.

O local é considerado o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo. Somente nesta temporada de nascimento, mais de 150 mil filhotes já foram soltos na natureza. Cada ninho pode abrigar mais de 100 tartarugas. No entanto, o atraso no período de desova, de quase dois meses fora do previsto, e a cheia inesperada têm comprometido a sobrevivência dos filhotes.

De acordo com o coordenador de Meio Ambiente, José Carrath Neto, o trabalho exige atenção constante às mudanças climáticas. “O grande aprendizado é que, ano após ano, a gente aprende que as condições climáticas na região acabam alterando alguns ciclos e nós precisamos estar atentos a essa mudança para que a gente possa criar métodos e estratégias para poder minimizar os impactos em relação à fauna, à vegetação”, explica.

Segundo dados do Ibama, o número de tartarugas que conseguem chegar à idade reprodutiva subiu de 1,5% para 3% desde o início das ações de preservação. Mesmo assim, especialistas alertam para riscos futuros. A médica veterinária Camila Ferrara, especialista em quelônios amazônicos da WCS Brasil, acompanha o trabalho há mais de 20 anos e destaca que o problema não é isolado. Segundo ela, o fenômeno não aconteceu apenas no rio Guaporé, mas em vários rios da Amazônia. “Mas se esse fenômeno passar a acontecer todos os anos, a gente não vai ter a entrada de novos indivíduos na população, que é o que a gente chama de recrutamento”, alerta.

Com informações do G1

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