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04 de março de 2026

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Che Guevara na ONU: crítica ao imperialismo e palco de divergências

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Em 11 de dezembro de 1964, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, testemunhou um dos momentos mais emblemáticos de sua história: o discurso do médico e guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara. Na época, ministro da Indústria de Cuba, Guevara utilizou a tribuna da ONU para lançar uma crítica contundente ao imperialismo americano, um pronunciamento que ecoa até hoje como símbolo da resistência ao domínio dos Estados Unidos na América Latina e no Terceiro Mundo.

Para muitos analistas, a fala de Guevara representou um divisor de águas, transformando a Assembleia da ONU em um espaço de confronto direto com a política externa dos EUA. O jornalista e sociólogo Ignacio Ramonet, em seus estudos sobre globalização, destaca que o discurso elevou Guevara à condição de figura planetária, um “embaixador do Terceiro Mundo” em um palco de alcance global.

“O imperialismo quer converter esta reunião em um vago torneio oratório em vez de resolver os graves problemas do mundo”, declarou Guevara, denunciando o que considerava uma tentativa de desviar a atenção das questões urgentes da conjuntura internacional. Ele enfatizou a necessidade de apoio da ONU aos povos oprimidos e sua aliança com o bloco socialista.

O discurso não se limitou a críticas genéricas. Guevara denunciou o controle americano sobre Porto Rico, afirmando que soldados porto-riquenhos eram utilizados como “bucha de canhão” em guerras a serviço dos interesses do império. Ele também condenou o regime de apartheid na África do Sul e os impactos negativos da colonização no continente africano, ressaltando a importância do desarme nuclear e da luta contra o imperialismo.

Guevara detalhou cinco demandas consideradas essenciais para a paz no Caribe: o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba, o cessar de atividades subversivas norte-americanas, o fim de “ataques piratas” a partir de bases americanas, o respeito ao espaço aéreo e naval cubano e a devolução da Base Naval de Guantánamo a Cuba. “Os Estados Unidos invadem”, alertou, ressaltando o histórico de intervenções americanas na América Latina.

Além de Guevara, outros líderes utilizaram a tribuna da ONU para desafiar a política dos Estados Unidos. Fidel Castro, em 1960, proferiu o discurso mais longo da história da ONU, com 269 minutos de duração, criticando o governo americano. Nikita Khruschev, líder soviético, protagonizou um incidente controverso ao bater o sapato na mesa da Assembleia em 1960, em um gesto de protesto. Yasser Arafat, líder palestino, denunciou o apoio dos EUA a Israel, e Hugo Chávez, presidente venezuelano, em 2006, comparou o então presidente George W. Bush ao diabo.

Especialistas da BBC News Brasil e outras instituições ressaltam que debates e divergências são inerentes ao propósito da ONU, que busca ser um fórum de diálogo entre nações com visões de mundo distintas. A Assembleia Geral, em particular, é vista como um espaço democrático onde todos os países têm voz, independentemente de seu poder ou influência. A pluralidade de vozes e perspectivas é considerada um dos pilares da ONU, permitindo a discussão e a busca por soluções para os desafios globais.

O discurso de Che Guevara na ONU, portanto, permanece relevante como um marco na história da organização e um símbolo da luta por um mundo mais justo e equitativo, onde a soberania e a autodeterminação dos povos sejam respeitadas.

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