Com o recuo nos preços, a competitividade da carne suína em relação à de frango começa a melhorar em outubro, após perdas consecutivas nos últimos meses, conforme aponta o boletim mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP), divulgado nesta sexta-feira (17). A reação do mercado suíno é reflexo dos impactos do caso de gripe aviária, registrado em maio em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. O Brasil foi declarado livre da doença em junho.
Impacto da gripe aviária e recuperação das exportações
O estudo do Cepea demonstra que o cenário da gripe aviária pressionou os preços da carne de frango e desfavoreceu a competitividade da carne suína entre junho e o início de setembro deste ano.
“O movimento de alta nas cotações do frango segue firme, enquanto os valores do suíno estão em queda, resultando em ganho de competitividade da carne suína frente à de frango pela primeira vez desde o caso da gripe aviária”, destaca o Cepea.
Os preços da carne de frango começaram a se recuperar em setembro, influenciados pela retomada das exportações brasileiras para a União Europeia, que haviam sido suspensas desde maio.
Poder de compra do produtor de suínos
Os produtores paulistas de carne de porco vivem um momento favorável em relação ao poder de compra do farelo de soja, insumo essencial para a suinocultura. A pesquisa do Cepea aponta que o poder de compra atual está 54% acima da média da série histórica, iniciada em janeiro de 2024, que é de 3,62 quilos.
Com a venda de um quilo do suíno vivo no interior de São Paulo, especialmente na região de Campinas (SP), o produtor conseguiu comprar 5,57 quilos de farelo em setembro. Esse é o maior volume registrado pelo Cepea desde dezembro de 2004, quando a relação de troca atingiu o recorde de 6,49 quilos.
O valor médio do suíno vivo em setembro, de R$ 9,25 o quilo, também foi o maior de 2025. Esse cenário favorável ao suinocultor é influenciado pelas recentes desvalorizações do farelo de soja. A tonelada do derivado negociado em Campinas (SP) registrou média de R$ 1.660,53 em setembro, 21,7% abaixo do mesmo período do ano passado.
Exportações e perspectivas futuras
O volume de carne suína exportada pelo Brasil cresceu cerca de 72% entre janeiro e agosto de 2025. Em janeiro, foram 7,7 mil toneladas, e em agosto, a quantidade subiu para 13,3 mil toneladas. Chile e Filipinas se destacam como os principais destinos dos embarques. Em julho, foram exportadas 14,5 mil toneladas para o Chile, o dobro do volume de janeiro.
O reconhecimento do estado do Paraná como livre de febre aftosa e peste suína clássica, oficializado em julho, impulsionou os embarques para o Chile. As Filipinas se mantêm como o maior destino da carne suína brasileira desde fevereiro deste ano.
Os preços do suíno vivo e da carne de porco mantiveram altas desde o fim do primeiro semestre de 2025, e as cotações de agosto seguiram firmes, contrariando o cenário típico de recuos para esse período do ano. As médias mensais dos preços do suíno vivo avançaram em quase todas as praças acompanhadas pelo Cepea em relação a julho.
A quantidade de carne de frango exportada em setembro foi a maior em 11 meses, e, na parcial de outubro, o ritmo diário de embarques é 9,6% superior ao de setembro e 16% acima de outubro de 2024. Analistas do Cepea estimam que 2025 pode registrar um recorde inédito nas exportações de carne de frango, mesmo diante do surto de gripe aviária.
A retomada das compras da proteína brasileira pela União Europeia também contribui para a recuperação do ritmo exportador. No entanto, as perspectivas de vendas externas recordes dependem da ausência de novos casos de gripe aviária em granjas comerciais.










