Por José Sidney Andrade dos Santos
O Carnaval 2026 acabou, as fantasias foram guardadas, mas a conta ficou para o contribuinte — e ela vem com a assinatura inconfundível do PT. Pelo menos R$ 700 milhões de dinheiro público (federal, estadual e municipal) foram injetados na folia, com a cereja do bolo sendo os repasses diretos do governo Lula: R$ 85,2 milhões federais via emendas parlamentares, Caixa e Embratur. Destaque para os R$ 12 milhões da Embratur (órgão sob comando de Marcelo Freixo, PT-RJ) para as 12 escolas do Grupo Especial do Rio — R$ 1 milhão por escola, incluindo a Acadêmicos de Niterói, que desfilou enredo homenageando o próprio Lula (“Lula, o operário do Brasil”), com Janja na avenida e tudo. Coincidência? A oposição chamou de campanha antecipada financiada pelo contribuinte, o TCU até tentou barrar, mas o show continuou. Caixa ainda liberou R$ 14,8 milhões em patrocínios, parte para camarotes VIP.
No Rio, somando prefeitura, estado e federal, o Grupo Especial recebeu quase R$ 78 milhões públicos. Em São Paulo, prefeitura aportou R$ 70,5 milhões (R$ 68 milhões para as elites, cerca de R$ 2,7 milhões por escola). Total nacional? Fácil ultrapassa os R$ 700 milhões quando somamos emendas, operações policiais custeadas e incentivos indiretos.
Agora, compare com as áreas que o povo realmente precisa:
• Saúde (União 2026): R$ 271,3 bilhões no orçamento federal. Soa robusto, mas o SUS agoniza — hospitais lotados, filas para cirurgias, remédios em falta. Bloqueios e contingenciamentos recentes (bilhões cortados ou represados) afetam diretamente, enquanto R$ 700 milhões vão para glitter. Esses milhões federais no Carnaval equivalem a equipar dezenas de UPAs ou vacinar milhões.
• Educação (União 2026): R$ 233,7 bilhões. Houve recomposição tardia de quase R$ 1 bilhão após tesouradas do Congresso (corte de R$ 488 milhões em universidades federais), mas o buraco persiste: contas de luz atrasadas, manutenção precária, bolsas encolhendo. Os mesmos R$ 700 milhões da folia petista poderiam construir creches ou laboratórios em massa. Em vez disso, priorizam samba-enredo sobre o “operário do Brasil”.
• Segurança Pública: Sem número federal isolado claro, mas PMs e guardas mendigam viaturas, salários e efetivo. Carnaval recebe operação reforçada com o mesmo dinheiro que falta na rua para combater o crime diário.
É a marca registrada do PT no poder: encher de verba a festa que rende voto, foto com estrela na Sapucaí e propaganda disfarçada de “cultura” (movimenta R$ 18,6 bilhões na economia, dizem — mas boa parte é consumo privado, não devolve direto pros cofres). Enquanto isso, cortam ou contingenciam o essencial, liberam recordes de emendas para aliados (bilhões pagos no início do ano), e posam de defensores do povo. Parasitas? Com certeza. Hipocrisia com selo PT: bancar homenagem ao chefe com dinheiro alheio, enquanto o hospital fecha ala, a escola desaba e a rua vira faroeste.
Realista? Dolorosamente. Irônico? De chorar de rir. Ácido? Só o veneno que essa palhaçada merece. O folião aplaude o luxo na avenida, mas na quarta de cinzas acorda com a mesma realidade: quem sustenta a festa dos outros é você, que rala o ano todo.
Como dizia o Professor Olavo de carvalho sobre o carnaval e os brasileiros, “O carnaval é a expressão mais genuína da cultura brasileira. É o tempo em que o povo brasileiro se reúne para celebrar a sua própria ignorância e a sua própria miséria.”
Por José Sidney Andrade dos Santos
Filosofo, Sociólogo, Escritor, Psicanalista









