Em reviravolta eleitoral, candidato de extrema-direita André Ventura lidera votação entre brasileiros e portugueses no Brasil
André Ventura, líder do partido Chega, de extrema direita em Portugal, obteve a maior porcentagem de votos entre brasileiros com direito a voto e portugueses residentes no Brasil nas eleições presidenciais portuguesas deste domingo (18). De acordo com o jornal português Público, com base em dados da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Ventura alcançou 48,81% dos votos (2.726) no Brasil, superando seu principal adversário, o socialista António José Seguro, que obteve 21,90% (1.223).
A eleição em Portugal, que ocorreu neste domingo, marcou um dia de disputa entre candidatos de diferentes espectros políticos. Com a apuração completa, António José Seguro liderou a disputa geral com 31,13% dos votos, garantindo sua vaga no segundo turno. André Ventura ficou em segundo lugar, com 23,49%, também avançando para a rodada final. João Cotrim Figueiredo, do centro-direita, obteve 15,99% dos votos, ficando de fora da disputa.
Pela primeira vez em quatro décadas, a eleição presidencial em Portugal será decidida em segundo turno. Ventura venceu Seguro em oito dos nove consulados portugueses no Brasil, além da votação na Embaixada de Portugal em Brasília. A única exceção foi Porto Alegre (RS), onde Seguro obteve 37,93% dos votos contra 25,23% de Ventura.
Mesmo antes da oficialização completa dos resultados, Seguro e Ventura já comemoravam a passagem para o segundo turno. Ventura afirmou estar pronto para o desafio final e criticou o adversário: “E este candidato socialista defende tudo ao contrário do que nós defendemos. Quer mais impostos para distribuir mais subsídios, quer continuar a sufocar as empresas com mais burocracia, quer mais imigração descontrolada, quer mais descontrolo na nossa Justiça, coisa que não queremos”.
António José Seguro, por sua vez, ressaltou a vitória do primeiro turno como um reforço da democracia: “Hoje, com a nossa vitória, venceu a democracia, e voltaremos a ganhar no dia 8 de fevereiro. Convido todos os democratas e progressistas a se unirem na luta contra o ódio e a discriminação”. O segundo turno está agendado para 8 de fevereiro. A necessidade de um segundo turno quebra uma tradição de 40 anos, período em que todas as eleições presidenciais portuguesas eram decididas já no primeiro turno, indicando um acirramento da disputa.
Cerca de 11 milhões de eleitores portugueses foram às urnas para escolher o próximo presidente da República. A eleição ocorreu menos de um ano após as eleições legislativas que renovaram o Parlamento. Portugal adota um modelo de governo semipresidencialista, no qual o presidente da República exerce funções majoritariamente cerimoniais, mas ganha relevância em momentos de crise política.
Com informações do G1










