Os camarões, além de um importante recurso alimentar, desempenham um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Um estudo recente realizado no Pará, coração da Amazônia Oriental, revelou uma surpreendente diversidade desses crustáceos, com 81 espécies identificadas em ambientes marinhos, estuarinos e de água doce.
A pesquisa, conduzida por Miani Corrêa Quaresma e Jussara Moretto Martinelli Lemos, detalha a distribuição dessas espécies em 17 famílias. As famílias Palaemonidae (27 espécies) e Penaeidae (12 espécies) se destacam pela sua relevância tanto nos processos ecológicos – atuando como predadores que regulam comunidades aquáticas – quanto na economia, devido ao seu alto valor comercial.

O estudo aponta que a maioria dos camarões amazônicos possui um ciclo de vida ligado ao mar, migrando para áreas de maior salinidade, como estuários e manguezais. Essa característica reforça a importância da preservação desses ecossistemas, que servem de berçário e abrigo para os camarões jovens, protegendo-os de predadores.
Muitas das espécies mais abundantes, como as da Palaemonidae e Penaeidae, estão listadas no “Livro Vermelho dos Crustáceos do Brasil”, que avalia o risco de extinção de cada espécie. Essa inclusão auxilia na criação de políticas públicas e estudos voltados para o manejo sustentável desses recursos. A biodiversidade de camarões no Pará representa cerca de 3,2% da diversidade total de crustáceos no Brasil, demonstrando a singularidade da fauna local.

Apesar da riqueza identificada, as pesquisadoras ressaltam a carência de estudos sobre a história de vida das espécies paraenses, especialmente nas fases iniciais do ciclo de vida e para aqueles que vivem em águas oceânicas. Os camarões são também importantes bioindicadores da saúde dos ecossistemas, e a exploração predatória e a degradação dos habitats representam sérias ameaças à sua conservação.
O estudo é um chamado à ação para a proteção da biodiversidade amazônica e para a implementação de práticas de manejo sustentável que garantam a segurança alimentar das comunidades tradicionais que dependem da pesca artesanal.
Você sabia que caranguejos e camarões podem ser encontrados no campus da UFAM em Manaus?
Com informações do Portal Amazônia.










