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17 de fevereiro de 2026

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Café Câmara: Anvisa proíbe marca por falsificação de selo de pureza

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização da marca de café Câmara após constatar a falsificação do selo de pureza da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). A Abic informou que a Sacipan, empresa fabricante do café, não é associada desde 2016 e já foi notificada sobre o uso indevido da certificação.

Irregularidades e contaminação

Uma análise da Abic, realizada em fevereiro de 2024, já havia apontado impurezas no Café Câmara. A embalagem do produto indica que a fabricação é de responsabilidade da Sacipan (Sociedade Abast do Com e da Indústria de Panificação Sacipan S/A) e da Lam Fonseca Produtos Alimentos Ltda., ambas em situação irregular, conforme a Anvisa. A origem do café também era desconhecida.

Uma análise do Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen/RJ) identificou a presença de “fragmentos de um corpo estranho, semelhantes a vidro” no lote 160229 do produto. A descoberta intensifica os alertas sobre a qualidade e segurança dos produtos alimentícios no mercado brasileiro.

‘Café Fake’ e fiscalização

Este caso se soma a outros identificados este ano, como as marcas Melissa, Pingo Preto e Oficial, que foram proibidas de serem vendidas após a descoberta de que não continham café em sua composição, sendo produzidas a partir de “lixo da lavoura”. O Ministério da Agricultura classificou esses produtos como “café fake”.

O selo de pureza da Abic

Criado em 1989, o selo de pureza da Abic visa identificar cafés produzidos com 100% de grãos, diferenciando-os de produtos que não atendem aos padrões de qualidade. As regras atuais, definidas em 2022 pelo Ministério da Agricultura, estabelecem um limite máximo de 1% de impurezas ou materiais estranhos por lote.

Impurezas incluem galhos, folhas e cascas, enquanto materiais estranhos englobam pedras, areia e sementes de outras plantas. A presença de corantes e açúcar também é proibida. Essas normas entraram em vigor em 2023, reforçando as ações de fiscalização e contribuindo para a apreensão de marcas de “café fake”.

Controle de qualidade

O processo de certificação da Abic envolve quatro etapas: análise microscópica (para detectar a presença de outros ingredientes), análise sensorial (degustação às cegas por especialistas), auditoria de boas práticas (avaliação das condições de fabricação) e monitoramento na gôndola (coleta de amostras nos pontos de venda para garantir a conformidade do produto).

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