Com a chegada do início do ano, cresce de forma significativa a procura por procedimentos estéticos em todo o país. O movimento, impulsionado por resoluções de ano novo, maior tempo livre durante as férias e aumento do poder de compra, também traz um efeito colateral preocupante: a realização de tratamentos sem acompanhamento profissional adequado.
Segundo a coordenadora do curso de Estética da Afya São Lucas, professora Jéssica Barreto, dados de mercado e relatórios do setor indicam que janeiro e fevereiro concentram um dos maiores picos de demanda por serviços estéticos. “Existe um forte desejo de recomeço no início do ano, conhecido na psicologia como fresh start effect. As pessoas voltam das festas, se veem em fotos, percebem manchas, flacidez ou ganho de peso e buscam soluções rápidas para mudar a aparência”, explica.
Entre os tratamentos mais buscados estão protocolos corporais para gordura localizada, celulite e flacidez, além de cuidados faciais como limpeza de pele, peelings, clareamento de manchas e microagulhamento. Também cresce a procura por bioestimuladores e procedimentos injetáveis, estes restritos à área médica.
Paralelamente, aumenta o uso indiscriminado de produtos e dispositivos estéticos sem orientação profissional, prática que pode trazer consequências graves. “O início do ano é um período crítico para a automedicação estética. Ácidos, clareadores potentes, kits de peeling caseiro e aparelhos vendidos pela internet são usados sem critério, o que eleva o risco de queimaduras, manchas permanentes e infecções”, alerta Jéssica.
Automedicação estética: um problema silencioso
De acordo com a especialista, o uso inadequado de dermocosméticos e técnicas invasivas em casa pode gerar efeitos contrários aos desejados. Entre os principais riscos estão queimaduras químicas, hiperpigmentação pós-inflamatória, especialmente em peles morenas e negras, agravamento da acne, alergias severas e infecções por falta de esterilização. “Muitas vezes, a pessoa tenta clarear uma mancha e acaba escurecendo ainda mais a pele. Outras associam ativos incompatíveis e provocam dermatites importantes. São danos que poderiam ser evitados com uma avaliação simples”, destaca.
A professora reforça que a escolha do profissional é determinante para a segurança do tratamento. Entre os principais sinais de confiança estão formação comprovada, registro profissional, avaliação prévia detalhada, uso de equipamentos regulamentados e transparência sobre riscos e resultados. “Profissionais sérios não prometem milagres. Eles explicam limites, contraindicações e acompanham o paciente antes e depois do procedimento”, pontua.
Por outro lado, preços muito abaixo do mercado, promoções relâmpago para técnicas invasivas, ausência de avaliação e produtos sem procedência devem acender o sinal de alerta.
Durante ou após um tratamento, alguns sinais indicam que algo pode estar errado: dor intensa, queimação exagerada, sangramentos fora do esperado, manchas escuras, infecções, assimetrias acentuadas e ausência total de acompanhamento pós-procedimento. “A estética segura não termina quando o paciente sai da clínica. O acompanhamento faz parte do tratamento e é essencial para evitar complicações”, reforça Jéssica.
Para evitar excessos, a especialista orienta que o público compreenda que resultados estéticos são progressivos e variam conforme idade, genética, estilo de vida e histórico de saúde. Misturar muitos procedimentos em pouco tempo, segundo ela, não acelera resultados e aumenta riscos. “A estética não segue receitas de internet. Tratar a causa, respeitar o tempo do corpo e buscar naturalidade são princípios fundamentais”, afirma.
Para quem deseja investir em estética em 2025, a recomendação é clara: segurança deve vir antes da pressa. “A estética não é apenas aparência, é saúde, ciência e autocuidado. O melhor investimento é buscar profissionais qualificados, respeitar o tempo de resposta do corpo e adotar um plano individualizado. Beleza de verdade não vem do excesso, mas da consistência”, conclui a professora Jéssica Barreto.










