Brigitte Bardot, ícone do cinema francês que morreu aos 91 anos, construiu uma relação singular com o Brasil, marcada sobretudo por sua passagem por Búzios, no litoral do Rio de Janeiro. Muito além de uma visita casual, a estadia da atriz ajudou a transformar a antiga vila de pescadores em um dos destinos turísticos mais conhecidos do país, além de consolidar um capítulo simbólico de sua trajetória fora da Europa.
Antes disso, Bardot já havia conquistado projeção internacional com filmes voltados ao mercado estrangeiro, como “O Desprezo” (1963), “Histórias Extraordinárias” (1968) e “Shalako” (1968). Ao mesmo tempo, ela também ampliou sua atuação artística e passou a investir na música, movimento que dialogava com o espírito experimental da época e com sua imagem de liberdade.
Romance no Brasil e refúgio longe dos holofotes
A ligação com o Brasil começou durante uma visita para encontrar o então namorado Bob Zagury, jogador de basquete brasileiro-marroquino que atuava pelo Flamengo. Durante essa passagem, Bardot gravou sua própria versão da canção “Maria Ninguém”, ao lado do compositor e músico da bossa nova Carlos Lyra, gesto que reforçou sua aproximação com a cultura brasileira.
Naquele contexto, a atriz buscava distância da perseguição constante da imprensa internacional. Por isso, ela e Zagury escolheram Búzios como refúgio. Na época, o local ainda mantinha características simples, com poucos moradores e estrutura limitada. No entanto, a presença de Bardot mudou esse cenário rapidamente. Revistas e jornais estrangeiros passaram a destacar a vila, o que despertou interesse internacional e abriu caminho para o turismo.
Legado permanente em Búzios
Brigitte Bardot passou o Réveillon de 1965 em Búzios e, depois disso, não retornou ao balneário. Mesmo assim, o vínculo permaneceu. A atriz recebeu o título de cidadã honorária e ganhou um terreno na Praia de João Fernandes, reconhecimento que simbolizou a importância de sua passagem para a história local.
Décadas mais tarde, em 2017, Bardot comentou a relação com a cidade em entrevista à RFI. Na ocasião, ela criticou as transformações urbanas do município, embora tenha ressaltado o valor afetivo do período vivido ali, afirmando guardar “recordações únicas” do lugar.
Hoje, o nome da atriz permanece integrado à paisagem de Búzios. A Orla Bardot, localizada na Praia da Armação, homenageia a artista e abriga uma estátua inaugurada em 1999. A escultura se tornou ponto turístico e reforça como a breve passagem de Brigitte Bardot ajudou a inscrever o balneário brasileiro no mapa cultural internacional.
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