O Governo Federal anunciou a criação da primeira Universidade Indígena do Brasil, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 27. A iniciativa, que se concretiza com a assinatura de um Projeto de Lei (PL) a ser encaminhado ao Congresso Nacional, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, do ministro da Educação, Camilo Santana, e do ministro do Esporte, André Fufuca.
A Universidade Indígena (UNIND) é fruto de um amplo processo de consulta, que envolveu 20 seminários com representantes de 236 povos indígenas diferentes, totalizando a participação de mais de 3.479 pessoas em todo o país. Essa escuta atenta garantiu que a nova instituição de ensino superior responda às necessidades e expectativas das comunidades originárias.
Para a ministra Sonia Guajajara, a UNIND representa um marco histórico e uma reparação. “Apresentamos hoje uma universidade que terá os povos indígenas como protagonistas na sua gestão administrativa e pedagógica, e que servirá a toda a sociedade brasileira como espaço de produção do saber plural, inclusivo e conectado aos desafios contemporâneos. Uma universidade gerida e liderada pelos povos indígenas vem combater o apagamento da memória, revitalizar as línguas e reconhecer o valor das medicinas, filosofias e ecologias indígenas”, afirmou.
O ministro Camilo Santana destacou o compromisso do governo com a educação e o esporte, ressaltando a importância da parceria entre os ministérios para o sucesso das novas universidades. “Hoje é um dia histórico para os povos indígenas e para o esporte do Brasil”, declarou.
O presidente Lula enfatizou a importância da educação para a dignidade dos povos indígenas e a valorização do esporte nacional. “Eu não tive oportunidade de fazer um curso superior e, justamente por isso, tenho consciência do que representa um diploma universitário. Quem tem que fazer o trabalho para ajudar as pessoas é o Estado, é a União, e é isso que estamos fazendo quando criamos novas universidades”, completou.
Como será a UNIND?
A UNIND terá um campus-sede no Distrito Federal e uma rede de Institutos de Formação Indígena em universidades federais, localizados em diferentes regiões do país. A oferta inicial de cursos será de 10, com previsão de expansão para até 48 cursos de graduação, atendendo cerca de 2.800 estudantes indígenas nos primeiros quatro anos de funcionamento.
Os cursos abrangerão áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas, como gestão ambiental e territorial, gestão de políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, promoção das línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias e tecnologias, e formação de professores.
O processo seletivo será próprio, com critérios que valorizem a diversidade linguística e cultural dos povos indígenas. A UNIND busca promover a autonomia indígena, valorizar seus saberes e tradições, e produzir conhecimento científico em diálogo com as práticas ancestrais.
A criação da UNIND acompanha um aumento significativo da presença indígena nas universidades brasileiras. De acordo com o Censo do IBGE, o número de indígenas no ensino superior saltou de 9 mil em 2011 para 46 mil em 2022.









