Sanções de Trump podem impactar comércio Brasil-Irã. Jornalista Miriam Leitão alerta para risco de novas tarifas e ‘tiro’ na economia brasileira
A possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a países que mantêm comércio com o Irã pode trazer impactos relevantes para o Brasil, que hoje é altamente superavitário na relação comercial com o país do Oriente Médio. A avaliação é da jornalista Miriam Leitão, em comentário no Bom Dia Brasil desta terça-feira (13).
Segundo Miriam, o Irã é um parceiro importante para o Brasil, especialmente nas exportações do agronegócio. Enquanto as importações brasileiras vindas do país somam menos de US$ 100 milhões, as exportações chegam a cerca de US$ 2,9 bilhões, o que torna a balança comercial amplamente favorável ao lado brasileiro. “É quase US$ 3 bilhões de comércio global, sendo que US$ 2,9 bilhões são de exportações brasileiras. O Brasil é altamente superavitário”, afirmou.
O risco surge diante de declarações recentes do ex-presidente Donald Trump, que voltou a ameaçar a aplicação de tarifas adicionais de 25% a todos os países que mantiverem relações comerciais com o Irã. Segundo Miriam, não há detalhes claros sobre como a medida seria aplicada nem quais países seriam atingidos. “Ele não explicou nada. Só colocou isso na rede social. Está todo mundo esperando para saber se serão os maiores parceiros ou se será todo mundo”, disse.
Se a medida for ampla, o Brasil pode acabar sendo afetado mesmo sem estar no centro do conflito geopolítico. “Se for todo mundo, o Brasil acaba levando mais um tiro nessa guerra. Como disse a China, ninguém ganha”, afirmou. A aproximação diplomática do Irã com o Brasil, inclusive no âmbito do Brics, aumenta a complexidade do cenário para o comércio exterior brasileiro.
“O que está acontecendo no Irã é terrível, e a comunidade internacional tem que se mobilizar, mas não dessa forma”, avaliou a jornalista, ao criticar o uso de tarifas como instrumento de pressão. Na análise de Miriam Leitão, o ambiente de incerteza no comércio internacional funciona como um “fogo cruzado”, no qual países como o Brasil podem ser atingidos economicamente mesmo tentando apenas manter mercados e preservar relações comerciais estratégicas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa para os republicanos da Câmara durante a conferência anual sobre questões do partido, em Washington, D.C., EUA, em 6 de janeiro de 2026 (Kevin Lamarque/Reuters).
Com informações do G1










