Governo Lula não descarta, mas exige esclarecimentos sobre o ‘Conselho da Paz’ de Trump e defende reforma da ONU
Enquanto Espanha e Alemanha declinaram o convite de Donald Trump para integrar o ‘Conselho da Paz’, o governo brasileiro adota uma postura cautelosa. Em vez de uma recusa direta, Brasília pretende questionar as bases jurídicas do órgão, aproveitando a movimentação de outros países para discutir a paralisia da Organização das Nações Unidas (ONU) no cenário geopolítico atual.
A expectativa é que o Brasil não apresente uma resposta imediata, mas sim solicite esclarecimentos técnicos sobre as brechas existentes no estatuto proposto por Trump. A estratégia do governo Lula é utilizar o debate em torno do novo órgão unilateral como argumento para defender uma reforma urgente do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral em setembro.
Fontes da diplomacia indicam que o Brasil buscará convocar outros líderes para apoiar uma reforma que democratize o sistema da ONU, alertando que, caso as mudanças não ocorram, modelos como o proposto por Trump poderão se tornar a norma. Diplomatas enxergam o plano de Trump como um sinal da falência do sistema multilateral, destacando que o novo conselho ganha força devido à incapacidade do Conselho de Segurança em resolver crises como a de Gaza.
“Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual”, avaliou uma fonte ligada à diplomacia brasileira. A proposta de Trump para o ‘Conselho da Paz’ apresenta pontos problemáticos, como a presidência fixa dos EUA, a exigência de um pagamento de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,5 bilhões) para garantir um assento permanente e a falta de espaço para diálogo, já que Trump não aceita emendas ao texto.
Para o governo brasileiro, um conselho que nasce com a presidência fixa dos EUA e com apoio explícito a apenas um dos lados do conflito é motivo de preocupação. A avaliação é que o Brasil só participará se as bases do conselho forem renegociadas, atuando como um dos formuladores das regras e não apenas como um membro figurante. Diplomatas classificam o modelo de Trump como uma “paz mercantil”, por condicionar o peso das decisões ao aporte financeiro dos membros.
Apesar do interesse de palestinos na entrada do Brasil no grupo, a ausência da Autoridade Palestina, que sequer foi consultada sobre o estatuto, é outro ponto de atrito. O debate sobre a participação brasileira no colegiado deve ganhar força nos debates da Assembleia Geral da ONU em setembro. “Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual”, reiterou a fonte da diplomacia.
Com informações do G1










