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Brasil pode aumentar produção de bioenergia sem desmatar, diz estudo

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Foto: Reprodução/Greenpeace

Um novo estudo, ‘Biocombustíveis no Brasil: Alinhando Transição Energética e Uso da Terra para um País Carbono Negativo’, divulgado no dia 8 de outubro, mostra que o Brasil tem potencial para aumentar significativamente a produção de bioenergia sem derrubar florestas. A pesquisa, realizada pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) com apoio do Observatório do Clima (OC), indica que o país pode reduzir em até 92% as emissões de gases do efeito estufa nesse processo.

O estudo revela que a produção de biocombustíveis como etanol, biodiesel e bioquerosene poderia dobrar até 2050, utilizando apenas um quarto dos 100 milhões de hectares de pastos degradados existentes em território nacional. Isso significa que seria possível atender à crescente demanda por energia de forma mais sustentável.

De acordo com Felipe Barcellos, pesquisador do Iema, a análise considerou dados do Mapbiomas sobre as áreas de pastagem degradadas, levando em conta a necessidade de recuperar áreas naturais e garantir a segurança alimentar. “O grande achado é que temos cerca de 56 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser recuperadas para a agricultura. E, dentro disso, podemos usar de 35 a 20 milhões de hectares para biocombustíveis”, explica.

A pesquisa complementa outros trabalhos recentes, como a Proposta de NDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas) do Observatório do Clima, apresentada em agosto de 2024, e uma análise sobre o futuro da energia no Brasil. A combinação desses cenários buscou avaliar a viabilidade de aumentar a produção de biocombustíveis sem aumentar as emissões por desmatamento, competir com a produção de alimentos ou comprometer a segurança alimentar.

O estudo conclui que o Brasil pode aumentar a produção de matéria-prima para biocombustíveis, atingindo uma economia de carbono até 2050, utilizando apenas pastos degradados e sem avançar sobre áreas de floresta ou produção de alimentos. Barcellos ressalta que a transição energética exige ações de curto, médio e longo prazo, e que o uso de biocombustíveis é uma das opções mais viáveis para o Brasil reduzir as emissões de gases do efeito estufa, especialmente no setor de transportes.

Para que isso aconteça, o estudo aponta para a necessidade de ampliar as políticas públicas de incentivo à recuperação de pastagens, tanto para a regeneração da vegetação nativa quanto para o setor produtivo. Além disso, é fundamental melhorar o monitoramento das áreas e o rastreamento da cadeia produtiva dos biocombustíveis. Programas como o Caminhos Verde Brasil são citados como exemplos de iniciativas importantes.

O setor privado também tem um papel crucial, aumentando a produtividade em espaços menores e diversificando o uso de matéria-prima. A pesquisa menciona a possibilidade de aumentar a produção de etanol utilizando o bagaço da cana-de-açúcar, além de explorar outras culturas como a macaúba, que é nativa do continente americano e pode ser cultivada em sistemas agroflorestais.

Com a proximidade da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) no Brasil, a coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, destaca que o estudo é uma ferramenta importante para reforçar o debate sobre os modelos de transição energética e como eles se adaptam à realidade de cada país.

“Esse estudo faz parte de um processo de consolidação do Grupo de Trabalho Clima e Energia do Observatório do Clima, que reúne 30 organizações especializadas em energia para contribuir com uma visão mais ampla sobre o tema”, afirma Suely Araújo. A ideia é subsidiar o debate com soluções que promovam uma transição justa, levando em consideração as particularidades de cada território. No caso do Brasil, a eletrificação de frotas para o transporte de alimentos ainda não é uma realidade de curto prazo, mas o uso de biocombustíveis pode ser uma alternativa eficaz.

“A ideia é intensificar a produção, mas com foco em pastagens degradadas e um controle rigoroso das salvaguardas ambientais, muito mais do que se faz hoje”, conclui Suely Araújo.

*Conteúdo originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Fabíola Sinimbú.

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