O plástico, presente em diversas embalagens de alimentos, leva de 400 a 1000 anos para se decompor, gerando graves problemas ambientais e de saúde pública devido ao descarte inadequado. Em busca de soluções, a pesquisa científica tem se voltado para o desenvolvimento de bioplásticos, alternativas sustentáveis com propriedades semelhantes ou superiores aos plásticos convencionais.
Uma pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA), conduzida pela aluna Manuelly Cassila Castro Sousa sob a orientação da professora Cleidilane Sena Costa, investiga o uso do amido de mandioca, um recurso renovável e abundante, na produção de bioplásticos. O estudo, intitulado ‘Filme de Amido de Mandioca Reforçado com Compostos Amazônicos e Vanadato de Bismuto’, busca uma alternativa econômica e menos impactante para o meio ambiente.

A pesquisadora utilizou o amido de mandioca como base, adicionando extrato alcoólico da Vismia guianensis, conhecida como “lacre”, uma seiva vegetal amazônica com propriedades plastificantes naturais, e vanadato de bismuto, um composto inorgânico que confere coloração e auxilia na caracterização do material. O processo envolveu a mistura dos componentes, aquecimento e secagem, resultando em duas amostras com diferentes concentrações de vanadato de bismuto (F1 e F2).
As análises realizadas, como Difração de Raio-X, Transmitância Óptica, Microscopia Eletrônica de Varredura e Infravermelho por Transformada de Fourier, revelaram que a amostra F1, com menor concentração de vanadato de bismuto, apresentou maior transparência, homogeneidade química e menor cristalinidade, sendo promissora para embalagens que exigem inspeção visual. Já a amostra F2, mais rígida e opaca, pode ser adequada para embalagens protetoras.

“Estimativas indicam que já foram produzidos oito bilhões de toneladas de plástico convencional e apenas 9% desse total foram reciclados. Isso prejudica vidas como a minha, de ribeirinhos que veem seus rios poluídos. Então, procuramos uma alternativa econômica, com elementos plastificantes, alguns presentes na natureza, para diminuir os impactos ambientais”, ressalta Manuelly Sousa.
A pesquisa demonstra o potencial da Amazônia como fonte de matéria-prima para a produção de materiais sustentáveis, contribuindo para a redução da poluição plástica e a promoção de uma economia mais circular.

Com informações do Portal Amazônia.












