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Um estudo inédito de pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aponta que o biodiesel produzido a partir do babaçu, uma palmeira abundante no Norte e Nordeste do Brasil, emite menos poluentes do que o biodiesel de soja e apresenta resultados semelhantes em motores geradores. A pesquisa, que será publicada na revista Engenharia Agrícola, comparou os dois combustíveis em condições reais de operação.
A pesquisa testou o babaçu como uma alternativa à soja, que atualmente responde por 70% da produção nacional de biodiesel. Os testes foram realizados com um motor gerador a diesel comum, utilizado em pequenas propriedades rurais, sem qualquer modificação no equipamento.
Os pesquisadores produziram biodiesel puro de babaçu através de uma reação química com álcool e soda cáustica, e o misturaram com diesel comum em diferentes proporções. O mesmo processo foi feito com o biodiesel de soja.
Durante os testes, o gerador foi submetido a diferentes níveis de carga – de leve (500W) a pesado (2.500W) – simulando o uso cotidiano. A equipe mediu o consumo de combustível para gerar a mesma quantidade de energia (eficiência energética) e a emissão de poluentes, como óxidos de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO).
Os resultados mostram que o uso do babaçu como matéria-prima para biodiesel pode trazer benefícios diretos para as comunidades tradicionais do Norte e Nordeste. A palmeira é amplamente encontrada nessas regiões, e a produção do biocombustível poderia gerar renda adicional para as famílias que já extraem sementes de babaçu para consumo e outros produtos.
Segundo Benhurt Gongora, um dos autores do estudo, a produção do biocombustível é relativamente simples. “Não precisa usar nenhum equipamento de difícil operação, apenas alguns aparelhos com agitação e aquecimento com vidraria de laboratório”, explica.
Além da geração de renda, a substituição parcial do biodiesel de soja pelo de babaçu pode diminuir a pressão sobre áreas agrícolas e reduzir as emissões de poluentes. Para o setor energético, a pesquisa indica a possibilidade de diversificar a matriz de biocombustíveis, diminuindo a dependência da soja e do diesel importado.
O babaçu se destaca por conter até 66% de óleo em suas sementes, enquanto a soja possui apenas 18%, tornando-o mais eficiente em termos de produção de óleo por hectare. Além disso, o biodiesel de babaçu demonstrou ser menos propenso à oxidação, o que significa que pode ser armazenado por mais tempo.
Os pesquisadores ressaltam que a próxima etapa da pesquisa é investigar a durabilidade do motor ao uso contínuo do biodiesel de babaçu, analisando o desgaste das peças. Eles também planejam realizar testes adicionais com diferentes tipos de motores e condições operacionais para confirmar a viabilidade do combustível.












