O déficit das contas externas brasileiras registrou aumento de 21% de janeiro a outubro deste ano, concomitante ao avanço do investimento estrangeiro direto no país, conforme informado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (25).
De acordo com a instituição, as contas externas – resultado em transações correntes – apresentaram um déficit de US$ 62,07 bilhões nos dez primeiros meses de 2025, em comparação com US$ 51,51 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Em outubro, o saldo negativo foi de US$ 5,12 bilhões, inferior ao déficit de US$ 7,38 bilhões registrado em outubro do ano passado.
Componentes das contas externas
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores do setor externo, é composto por:
- Balança comercial: Comércio de produtos entre o Brasil e outros países.
- Serviços: Gastos de brasileiros no exterior.
- Rendas: Remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.
O Banco Central explica que o tamanho do déficit está frequentemente ligado ao crescimento econômico. Com o crescimento, a demanda por produtos importados e serviços aumenta, elevando o déficit.
A deterioração das contas externas, na parcial até agosto, está associada principalmente ao desempenho da balança comercial, que apresentou um superávit de US$ 45,6 bilhões, menor que os US$ 55,6 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Para o ano passado completo, o déficit em conta corrente somou cerca de US$ 66 bilhões (valor revisado). A estimativa do BC para o fechamento de 2025 é de um rombo de US$ 70 bilhões, conforme projeção de setembro.
Investimentos estrangeiros diretos
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram aumento no período de janeiro a outubro. Os aportes somaram US$ 74,3 bilhões, comparados a US$ 68,3 bilhões no mesmo período de 2024.
Esses investimentos foram suficientes para “financiar” o déficit de US$ 62 bilhões nas contas externas no mesmo período.
Em outubro, os investimentos estrangeiros totalizaram US$ 10,9 bilhões, ante US$ 6,7 bilhões no mesmo mês de 2024.
No ano passado, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 74,1 bilhões (valor revisado). A estimativa do BC para o fechamento de 2025 é de US$ 70 bilhões.
Gastos de brasileiros no exterior
Os gastos de brasileiros no exterior atingiram US$ 1,91 bilhão em outubro, o maior valor para o mês desde 2014, quando totalizaram US$ 2,12 bilhões. No acumulado dos dez primeiros meses deste ano, os gastos somaram US$ 18,1 bilhões, o maior valor para o período desde 2014 (US$ 21,7 bilhões).
Esse crescimento ocorre apesar do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio, implementado em maio, que encareceu a compra de moeda estrangeira. A queda do dólar, por outro lado, contribuiu para amenizar o impacto do IOF.
O dólar abriu em queda de 0,29% nesta terça-feira (25), cotado a R$ 5,38. No acumulado do ano, a desvalorização foi de 12,7%.
Analistas indicam que as despesas no exterior também são influenciadas pelo nível de atividade econômica, que, apesar da desaceleração, continua em crescimento, mesmo com a taxa básica de juros em 15% ao ano.
Com informações do G1











